3 de Março de 2009

Kanimambo Moçambique

Por acreditar que tudo o que se inicia tem que se concluir, e nao deixar pura e simplesmente a meio, aqui segue o meu pequeno contributo final como que sinalizando aquilo que Moçambique significou e significa para mim no plano pessoal.

Moçambique significou um sem fim de aventuras inesquecíveis, calor e paisagens inebriantes, pôr de sóis magnificos e acima de tudo pessoas com qualidades humanas como julgo nao haver em outro lugar do mundo. Meu coração ficou cheio de África e acima de tudo meu coração ficou cheio de Moçambique. Kanimambo terra de boa gente por alguns dos mais felizes dias da minha vida.

Renasci para a vida e para os seus valores fundamentais: generosidade, humildade e dignidade porque mesmo em caréstia extrema sóis capaz de sorrir como relembrando-nos que a vida nao é um fardo mas uma benção. Obrigado meu deus, e a ti Moçambique até sempre. Peróla encrustada no meu coração. Ha tão pouco parti e ja tantas são as saudades....

9 de Fevereiro de 2009

Sexta-feira, dia do homem

Tarde ou cedo costumes e tradições ancestrais com benefícios óbvios no preservar do bem estar social caem em desuso. Também aqui em Moçambique isso acontece. Refiro-me à sexta feira como dia do homem. Forças feministas procurando estatuto igualitário no que respeita à igualdade dos sexos tentam denegrir uma caracteristíca sagrada no relacionamento entre homens o bonding. Sagrado porque Domingo também é dia do Senhor e poucos questionam a ida à missa.

Para os homens sexta-feira é para sair à rua beber, jogar cartas, pescar, etc, em, suma actividades essências na paz social de qualquer comunidade designadamente patrileníares, e que requeriam pelo menos uma vez na semana nenhuma interferência por parte da companheira (quem já não ouviu…Manuel estas a beber muito….Manuel passas a vida a jogar às cartas e só perdes dinheiro….). Era necessário descanso entendiam eles.

Pelo pragmatismo que me caracteriza entendo eu perfeitamente a lógica de tais assumpções pelas razões acima descritas e pelas abaixo enumeradas que são de ordem fundamentalmente mais prática:

1ª Ausência no shopping da mulher pelo menos uma vez na semana levaria ao equilibrar das finanças da franja maioritária das unidades familiares em Moçambique e diria no mundo;

2º Mulher teria mais tempo para se dedicar às tarefas domésticas para criar a harmonia perfeita no lar para quando seu senhor chegasse;

3º As crias do casal estariam mais bem cuidadas e preparadas para enfrentar o mundo enquanto adultos pelo enfoque particular que sua progenitora lhe dedicaria nesse dia – um ia por semana faz toda a diferença;

4ª Não sair de casa permitiria criar menos intrigas com outras mulheres e como tal contribuir para a paz nuclear da sua vila ou aldeia, muitas vezes como sabido maculadas por tais questões;

Em suma…o mundo seria sem dúvida melhor se forças maléficas não tentassem destruir o bem que já esta feito.

Estou como é óbvio a brincar leitoras .… quanto aos pontos que acima refiro, mas em Moçambique sexta-feira era mesmo deles…agora já não…e confesso que muito bem…porque europeus bem sequiosos se encontram de pelo menos duas vezes por semana verem mulatas e núbias em seus trajes apertados e corpos quase desnudos a dançar noite fora. Bem hajam Moçambicanas.

Pagar ou não pagar, eis um tiro no pe!

Estando os “velhos contactos” e um elemento dos recém chegados C13 com o inestimável Rui na noite da última sexta feira em amena cavaqueira na esplanada da Cervejaria Cristal, já em clima de despedida do nosso bom amigo e colega contacto Juca Lima Rosas, quando aos nossos ouvidos chega ruído de foguetes fora de reveillon. Pensei eu “o Benfica jogou hoje e sagrou-se campeão? Já em Fevereiro? O glorioso de facto é inescedível…..”.

Contudo aos primeiros “foguetes” seguiram-se uns quantos bem mais intensos e próximos dos nossos ouvidos que rapidamente retiraram quaisquer pensar de festejo futebolístico, senão irrealista bem merecido pela força da mística encarnada.

Eram tiros de armas de fogo. Reacção extemporânea de todos. Qual foi? Colocarem-se debaixo das mesas, primeiramente, seguidamente, correrem que nem loucos para se abrigarem no edifício principal do renomado restaurante de Maputo. Não chegaram sequer a entrar.

Alguns quantos intelectuais/clientes interessados que estavam na quebra momentânea do Armistício que o fim da guerra civil havia estabelecido, bloqueavam a entrada como que para ver o sangue das primeiras vitimas e o estatelar dos presuntos no chão. Pensei “Que abordagem académica tão interessante a desta gente! A fazer um estudo sociológico e comportamental da reacção de pânico de outros colegas clientes embora com risco da sua própria vida. Louvável. Para todos Doutoramento Honoris causa”. Enfim….sem palavras.

Tudo se sanou contudo sem mais demora ou dano. Parou o ruído. E todos se repuseram onde anteriormente descansadamente se quedavam.

Diligências posteriores de detectives de ocasião apuraram que pressionar das espingardas se havia devido a um lapso. E como há que não correr riscos a policia antes atira e depois pergunta. Porque com a ordem e a lei não se brinca.

Dizem então os factos que a policia foi chamada por alguém para sanar um conflito que à altura da sua chegada os agentes da autoridade desconheciam qual seria. Ao se aproximarem do local da disputa vêm um individuo rapidamente a por-se no carro e a arrancar. Por terem pensado ser um ladrão de automóvel em fuga, puseram-se no seu encalço ao bom estilo do velho farwest, para finalmente o travarem pouco mais à frente. E como não querendo que falta de respeito passasse impune deram ao fugitivo um tiro no pé - ao que parece prática comum na policia local por não por em risco a vida dos criminosos e lhes relembrar que com a policia não se pode brincar.

Não roubando um carro, não pagou uma cerveja, mas ficou com uma bala alojada no pé pela cerveja que não quis pagar….. souvenir policial.

Boda africana

O penúltimo mês do ano transacto foi para os moradores da Rua Augusto César Cardoso nº492 1º andar em Maputo mais uma amostra do experienciar constante de momentos únicos, indefiníveis e irrepetíveis que África nos proporciona quando disponíveis nos encontramos a apreciar e deixar envolver na teia que estas culturas enleiam e que irremediavelmente nos deixam enamorados pelo viver destas gentes. Falo particularmente do acto cerimonial boda matrimonial. Por termos sido convidados, estivemos presentes, neste episódio único da vida da filha de nossa senhoria, e espera-se de seu consorte. Ajuntou-se este “espera-se” por em Moçambique ser aceite como prática comum o fenómeno da Casa 1, Casa 2, Casa 3 ou quantas casas se possa sustentar. Em outras palavras, os machos naturais do território podem praticar a poligamia sem que tal geralmente se constitua como socialmente mal aceite por ao homem, e direi eu com justiça, se conceder o direito e dever de espalhar a semente por estas já muito povoadas terras de África, ainda para mais quando muitas esposas e consequentes filhos eram tradicionalmente no antanho garantia de mão de obra para cultivar as machambas e como tal garantir sobrevivência. Contudo, a estrangeiros tal previlégio não é permitido, a meu ver lamentavelmente, por se constituir como um atentado aos direitos de igualdade de usufruto que organismos internacionais deveriam velar por garantir por se constituir um eixo de cooperação estratégica que claramente beneficiária as relações entre o mundo ocidental e africano …. enfim que dizer!!!!!lolololol! A casa branca ou palácio dos casamentos como é comumente conhecido o local onde as gentes mais remediadas se unem numa parceria para a vida, situa-se na principal rua de Maputo, Julius Nyenere, sendo muito comum que vários casamentos se celebrem ao mesmo tempo numa lógica óbvia de maximização de tempo e recursos. Ficou esta jornada do nosso périplo africano também marcada pela concessão a muito custo permitida de algumas palavras a uma televisão local que muito convenientemente se deslocou ao antro dos casadoiros sob o pretexto da questão “Tudo é justificável em nome do amor?” . Pelos vistos sim, até o casamento J Bastara por ora de prosa. Imagens e vídeos mostram o que palavras não poderão contar capazmente

4 de Dezembro de 2008

Maria Joana

Num bairro do Grande Maputo, encontra-se Maria Joana. De rosto enrugado, carrega nos braços o seu "bocado": quatro tomates, duas batatas e pó de caril para "escapar à miséria". Perdeu o marido no tempo em que se enganava a fome com talos de repolho. Hoje, para Maria, mãe de seis filhos, cair na esteira sem a barriga numa moinha é fortuna de dia de festa. Depois de entregar os artigos de cozinha à filha mais velha, parte para o bairro da Sommerschield onde trabalha como doméstica. Aufere dois mil meticais/mês. Guardar dinheiro "nunca mais". Não sobra nada. A gestão mensal fá-la na ponta da capulana, não chega ao banco. "E vai-se tão depressa! Quando chega já tem destino. O que nos pagam é uma desgraça. Agora só queria amealhar para o meu funeral, para não dar essa despesa aos meus filhos."

Para sobreviver, Maria aproveita o que considera serem desperdícios em casa dos seus patrões: "Não fossem os bocados que sobram das refeições dos senhores, não sei o que seria dos meus filhos", queixa-se da vida. Contudo, no imaginário da anciã, a culpa é deste sistema que "marginaliza o povo". "Quando o tempo era outro e as coisas estavam organizadas, pelo menos, tínhamos um quilo de arroz para todos. Agora, alguns têm tudo e nós nada", refere.

Quando perdeu o marido, tinha 36 anos e seis filhos, dois dos quais à entrada da adolescência. Sentiu-se perdida, mas foram-lhe exigidas forças para cuidar dos filhos. Nos anos 80, começou a trabalhar na Texlom, uma indústria têxtil na Matola, mas na década de 90 a empresa fechou e, à semelhança de muitos moçambicanos, engrossou a fila dos desempregados no país. Sem nenhuma formação académica para disputar um emprego formal, Maria começou a trabalhar como doméstica.


Extracto de um artigo do Jornal @Verdade de hoje, da autoria de Rui Lamarques.

Lobolo - regra social moçambicana

"Para a secretária da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), a nível da cidade de Maputo, Generosa Cossa, o lobolo é uma forma simples e isenta da burocracia do Estado de contrair matrimónio acessível para pessoas de todos os estatutos sociais, tanto nas zonas urbanas como nas zonas rurais.

O lobolo tem funções claras dentro de uma sociedade que são uma forma tradicional de celebração de matrimónio; uma forma de mostrar o amor que um homem sente por uma mulher; de mostrar o respeito pela família da futura esposa, para além de que também serve para unir as duas famílias em redor da construção de uma nova família. No entanto, Generosa Cossa não concorda com as altas somas de dinheiro cobradas por alguns pais em nome do lobolo de suas filhas. “Não concordo, mas se for essa a vontade da família da noiva deve ser respeitada”.

Para Generosa Cossa, o lobolo não pode compensar nem pagar o trabalho que a família teve para gerar, criar e educar uma filha, mas simplesmente pode mostrar um sentimento de gratidão da família que vai se beneficiar do convívio e trabalho desta nova filha que passará a pertencer à família do noivo.

Questionada se os valores altos cobrados pelos pais da noiva ao noivo, significam oportunismo ou dinâmica cultural, Generosa Cossa respondeu nos seguintes termos: é relativo. Na zona do Sábiè, província do Maputo, há 35 ou 40 anos cobravam quinze cabeças de gado pelo lobolo. Hoje acredito que dificilmente alguém cobre este valor. É mais uma dinâmica cultural do que oportunismo. Na verdade, o valor cobrado é mais um teste para confirmar a capacidade do futuro genro de cuidar da filha de acordo com o estatuto socio-económico que ele tem.

Generosa Cossa também foi questionada sobre até que ponto é justo lobolar cadáveres porque em vida o marido não o fez e, a resposta foi: é relativo e depende do relacionamento que o viúvo teve com a família da defunta. Na maioria dos casos, vejo isto como uma punição e manifestação de insatisfação por parte da família da noiva pela forma como o genro os tratou enquanto a filha estava viva. Na óptica deles, o genro desrespeitou e desonrou a família de várias formas, expressas por não aceitar pagar o lobolo.

Para a sua definição a nível da antropologia, lobolo é designado por compensação material e em outras culturas é designado por dotes. Na Europa, por exemplo, o dote é dado pela rapariga ao rapaz. Em Moçambique, a compensação é feita de homens para mulheres, isto é, os familiares do rapaz é que compensam os da rapariga.Por seu turno, para Marta Obadias, uma anciã que já tem três filhas loboladas, esta prática é uma cerimónia em que a linhagem de uma mulher é economicamente compensada pela passagem dos direitos sobre os eventuais descendentes dessa mulher para a linhagem do marido, pelo que os filhos dela passarão a ter plenos direitos de pertença à linhagem paterna.

Segundo esta anciã, as modalidades em que é praticado hoje o lobolo são completamente diferentes das do seu tempo. “Hoje em dia, o valor do lobolo depende também das qualidades da rapariga, porque se for uma mulher formada vai custar muito mais caro. Cobram-se as qualidades dela e os investimentos em educação, o que não acontecia antigamente”, explicou. Para Marta Obadias, mesmo reconhecendo que não se devia cobrar grandes somas de dinheiro, o uso da palavra pagamento para se referir ao lobolo não é correcto, o termo certo é compensação, porque na verdade não se trata de comprar nada. Também acredita que o custo de vida possa estar por detrás destas cobranças de valores altos. “Eu fui anelada por duas cabeças de boi, uma fêmea e um macho. O que é que isso significa hoje? De certeza que estaria acima de 20 mil meticais, sem incluir a roupa da noiva e dos pais”.

Variando de família para família, no lobolo entram cabeças de gado, galinhas, tecidos, bebidas, alimentos, ferramentas, dinheiro e outros bens para os pais, tios e avós e roupa para a noiva.

Para a secretária nacional da APOSEMO, Isaura Fernandes, o lobolo é um ritual que simboliza a saída da mulher para a família do marido e enche de orgulho as famílias que lobolam suas filhas. “Os meus pais falavam de lobolo com muito respeito e a mulher lobolada era respeitada no seio da sua comunidade e familiares e o próprio homem tinha orgulho em afirmar que lobolei a minha mulher”. Recordou-se que nessa altura lobolava-se com valores baixos e não com grandes somas de dinheiro como acontece hoje, em que alguns pais chegam a exigir 20 mil meticais ou mais, dependendo do nível de formação da sua filha. “Lobolo não era uma palavra tão banalizada como é hoje, acredito que o acto foi perdendo consideração quando as famílias começaram a pedir valores elevados, associando o acto à venda da rapariga”. Por outro lado, lamenta que se faça lobolo de mulheres já mortas para castigar o marido que não cumpriu esta norma social . “Penso que os pais e toda a família têm o papel de educar os seus filhos a respeitar as normas e regras sociais. Se a família da rapariga exige o lobolo é preciso respeitar isso, porque não é saudável esperar que ela morra para resolver o problema do lobolo que não foi feito quando ela esteve viva”.

in Notícias, 21 de Novembro de 2008

Fim de semana solidário

Solidariedade

"É uma palavra diferente, é uma palavra que incomoda um pouco. Incomoda porque é o seu significado que faz mexer. Fundamenta-se em valores que não conseguimos quantificar por maior que seja o número de meticais ou euros.

Ser solidário é, acima de tudo, respeitar incondicionalmente tudo o que nos rodeia.
Ser solidário é sentir a capacidade íntima de partilhar.
Ser solidário é perceber que a alegria de dar é indiscutivelmente superior à alegria de receber.
Ser solidário é perceber que as diferenças só existem porque é mais fácil criar distâncias do que gerir dificuldades.
Ser solidário é estender a mão sem olhar à cor, ao sexo, ao estatuto social (ou à falta de conta bancária).

Solidariedade é um valor no qual acreditamos.

"No último fim de semana de Outubro, o Rua d'Arte lançou o seu projecto Fim de Semana Solidário. Este projecto consiste em ajudar várias instituições que desenvolvem um trabalho com impacto positivo na sociedade moçambicana. No último fim de semana de cada mês o Rua d'Arte realizará sempre esta iniciativa, que consiste em angariar, através dos seus eventos (jazz, fotografia, cinema, teatro, festas, etc.), material escolar e fundos para reabilitação ou melhoria de infra-estruturas.

Na primeira edição do Fim de Semana Solidário, foram apoiadas duas instituições: a AVOMACC (Associação Voluntária de Mães e Crianças Carenciadas) e o Centro da Boa Esperança de Xipamanine.






A partir de hoje, e durante todo o fim de semana, será apoiada a CERCI - Centro de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados, com o objectivo de conseguir promover a inserção social e a reabilitação de crianças com deficiência mental.

3 de Novembro de 2008

Eleições a 19 de Novembro, faça chuva ou faça sol...


Dia 19 de Novembro, cada eleitor moçambicano terá o direito (e dever) de se deslocar às urnas para eleger o candidato ao seu município….

Por Decreto-Lei, dia de eleições é “feriado”, com o intuito para levar as pessoas às urnas. Infelizmente, a participação nas eleições tem sido muito fraca. As pessoas não demonstram qualquer regozijo e vontade de ir exercer o direito democrático. Essa “preguiça democrática” está bem patente nas altas taxas de abstenção… a razão poderá ser dada pelo “estado das coisas”, e a descredibilidade dos agentes políticos no seio do povo, devido aos inúmeros casos de corrupção.

A administração central tem vindo a fazer uma activa promoção das eleições assente no lema: “vou votar, faça chuva, faça sol”… Vamos lá ver se resulta…
Tudo aponta que estas eleições correrão pelo melhor ao partido no poder, a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Este é o único partido com dimensão e influencia neste país, o resto (RENAMO, …) não passa de uma oposição frágil e de fachada… Uma pena, assim nunca se conseguirá atingir uma democracia estável e madura em Moçambique…

A par de atrasos na entrega das listas de candidatos à Comissão Nacional de Eleições (por falta de documentos), uns casos polémicos na escolha de candidatos (cidade da Beira, Simango não foi reconduzido ao cargo… cidade de Maputo, Comiche foi afastado…), uns casos de corrupção (ex-ministro preso por ter desviado uns milhões de meticais) tudo tem corrido pelo melhor!
Uma coisa é certa, estamos perto das eleições e ainda não vi um programa… se calhar, não é usual em Moçambique apresentar-se um programa, basta mostrar a cara e a bandeira do partido… No entanto, para dizer mentiras e enganar o povo, mais vale mesmo é não dizer nada…

Como nunca vi um programa, vou dar uma dica aos candidatos ao município de Maputo!

Primeiro, caro candidatos, o vosso programa tem de convergir com o do governo (PARPA) com o principal objectivo de reduzir a pobreza, atingindo os Objectivos Do Milénio (ODM).
Em segundo lugar, é extremamente importante conseguir atrair mais investimento estrangeiro e nacional para o nosso município, o que irá gerar riqueza e emprego. As nossas condições são boas, temos um porto, os CFM, a África do Sul, recursos humanos e uma vontade enorme de trabalhar!
Só criando riqueza é que nós teremos condições de dar melhor condições de vida ao nosso povo. Só com Crescimento Económico Sustentável é que atingiremos o Desenvolvimento Sustentável.
Teremos também de uma forma geral:
- melhorar as condições de saúde do município
- melhor as redes de saneamento e de distribuição de água e luz
- Apostar na formação das pessoas…
Esta é a minha visão… espero que contribuí para a elaboração do vosso programa eleitoral… e espero vê-lo brevemente, pelo menos, dois dias antes da eleições…

“VÁ VOTAR, FAÇA CHUVA, FAÇA SOL”

31 de Outubro de 2008

7 Maravilhas de Maputo

Venho aqui expôr uma iniciativa que me chamou a atenção.

Por ocasião dos 121 anos da elevação de Maputo a cidade o jornal, de distribuição gratuita, “A Verdade” (familiar do português “Destak”) vem organizar um sufrágio com vista à eleição das 7 maravilhas da cidade de Maputo. Como tal foi estabelecida uma lista de “14 locais – edifícios, pontos geográficos, históricos, etc. – incortornáveis para quem visita a cidade das acácias”, que serão submetidas ao voto popular. Nesta lista temos:


SM 1 – Sé





SM 2 – Mesquita da Baixa



SM 3 – Mercado Central de Maputo




SM 4 – Igreja Polana



SM 5 – Estação de Caminho de Ferro


SM 6 – Fortaleza




SM 7 – Casa de Ferro



SM 8 – Praça dos Heróis Moçambicanos



SM 9 – Vista da Marginal



SM 10 – Hotel Polana


SM 11 – Museu de Historia Natural


SM 12 – Rua Bagamoyo, também conhecida como sendo a rua do luso (e neste blog ainda como “Rua do Crime”)



SM 13 – Mercado de Xipamanine




SM 14 – Vista do Hotel Cardoso


Quem estiver interessado em participar nesta iniciativa pode enviar a sua intenção de voto (num dos locais), até ao dia 9 de Novembro, para o seguinte endereço averdademz@gmail.com. Chegados a dia 10 de Novembro, a data histórica em questão, serão revelados os locais laureados com tão honorosa distinção.

Para os que ainda não estiveram em Maputo esta lista pode servir para vos dar uma pequena amostra do que poderão ver quando, de futuro, visitarem a cidade.

Vamos ajudar a reduzir a lista! Venham daí esses votos!!

A costela Portuguesa em todo o Moçambicano

Pese embora seja usualmente aceite que portugueses e moçambicanos nao se cotejam por diferenças culturais abismais os oporem, as verdades do quotidiano não o confirmam. Designadamente no que respeita a um aspecto primário da vida, o seu gozo.

O conceito, vida, encerra desde logo nuances de que todo e qualquer sujeito usufrui em maior ou menor escala em dependência do prazer que desses actos retira. E no meu caso, referir-me-ei em primária instância ao acto de comer. Porque o adoro fazer.

Reparei desde logo que também em Moçambique, a utilização de manteiga é recorrente. Seja no pão, no peixe, no camarão, na carne, em suma em quase tudo que seja comestível. A expressão Prego Roll ja alguma vez chegou aos seus ouvidos? Não é mais nada senão o nosso bem português prego, tipicamente um misto de carne de porco frita ensanduichada em duas fatias do popularmente celébre Papo-seco. Contudo aqui o acompanhamento é bem mais caloríco. Uma generosa dose de batatas fritas, sendo o pao ensopado em manteiga, o que se supõe pretenda acrescentar sabor ao bife que sendo tenro e com tempero de vinha de alhos, é divinal, tal como em Portugal...e ousarei dizer nalguns casos bem melhor que no país donde é originário. Sul-africanos e expatriados de outras nacionalidades em presença no país se deleitam quando degustam tão simples sandwiche.

Diz-lhe alguma coisa o ficar longas tardes sem fazer nada em qualquer esplanada a bebericar sumo de cevada deglutindo complementarmente amendoins torrados? Por cá tambem eles sabem o que isso é. Acrescentam contudo algum valor acrescentado a este momento rotineiro de lazer, carregando arcas com o precioso liquido nas malas dos seus bem cuidados bolídes, usualmente produzidos na penúltima década do século passado e de importação asiática, e dirigem-se para a costa onde já amiúdados convivas os aguardam com seus carros a debitar décibeis em full volume, como que seleccionando melodias a que todos são obrigados a ouvir, assim nao haja vontade de competir musicalmente com o carro do lado.

Como bom português é o caro leitor indíviduo de gostar de argumentar com outros individuos sem nada falarem que seja de real interesse e conteúdo, o vulgar dizer nada de jeito? Também aqui os Moçambicanos prezam a sua non sense conversation.

Outro aspecto que nos aproxima é sem dúvida o futebol. E nao falo do espectáculo futebolistico em si. Mas a paixão pelos clubes, mormente portugueses que acalentam acaloradas discussoes entre Moçambicanos de gema que nunca jamais se deslocaram ou presenciaram jogos do principal campeonato portugues. Conheci por cá adeptos do Benfica, do Sporting, do Porto e inclusivamente do Boavista. Imaginem!! Acreditem que cá tambem os vivem intensamente..

Entende então o caro leitor as razões para tantos indivíduos oriundos da pátria lusa por cá se sentirem bem? Estão em casa....mas uma casa portuguesa nos trópicos.

30 de Outubro de 2008

Televisão Independente de Moçambique OLÉEE

A televisão em Moçambique é sinónimo do que de melhor se faz no mundo. Países como El Salvador, Burkina Faso, Nepal e até, atrevo-me a dizer Ilha de Man (para os mais desatentos nação independente que flutua ao largo do Mar do Norte), invejarão sem a menor dúvida a grelha de programação neste país. E aqui refiro-me designadamente à Televisão Independente de Moçambique, sob o acrónimo TIM.

Esta emissora em sinal aberto pontifica entre as demais pela recursividade utilizada para pôr ao dispôr dos telespectadores o que de melhor se faz no mundo em termos de conteúdos televisivos, mormente norte-americanos.

É prática recorrente, de acordo com os rumores que não correm depressa mas devagar, como aliás tudo neste bendito país, o download de filmes e programas televisivos directamente da world wide Web para a sala de estar de todo e qualquer moçambicano.

Na falta de tempo para tal cuidado, compra-se DVD na esquina mais próxima, de preferência “pirata”, e exibe-se em antena aberta filme adquirido para uso pessoal. Problema é esquecerem-se de no fim do filme retirarem o disco do leitor, e ficar durante alguns segundos o Menu do DVD no meio do nosso ecrã. E nós impossibilitados de mudar legendas, visionar extras, ou ir directamente para algumas cenas por estar o leitor a vários quilometros de distância, isto é nas instalações da TIM. Não se faz. Também temos o nosso direito a querer ver o filme com legendas em Alemão ou Hebraico.

Coloca-se aqui uma questão que me parece relativamente sem impôrtancia. Os direitos de autor. Não é todo e qualquer Moçambicano parte da mesma nação e como tal integrante de uma família mais ou menos alargada? Ainda para mais resulta óbvia na minha mente a conclusão que todos se constituem de linhagem directa uns dos outros, não fosse eu ouvir frequentemente chamar Mamma e Pappa em todas as esquinas. Até a mim, branco caucasiano. E eu não sou pai ou mãe de ninguém, ainda.

Desse ponto de vista não me parece errado quebrar as leis de copyright mundialmente estabelecidas.

Premeia-nos também a TIM com desafios de futebol interessantíssimos de campeonatos tão excitantes como o escocês e português, nos mesmos moldes de partilha desabrida do património de sinal que sendo privado é público por razões de interesse nacional.

Permitam-me contudo que sugira, e ao mesmo tempo lamente, o facto de não cobrirem o campeonato de futebol Polaco, Húngaro, Chinês, ou no plano regional Namibiano. Por serem também esses alvo do interesse de todos os amantes do futebol que entre os demais os elegem superiores.

Por tudo isto um grande bem haja TIM. Só tu alegras nossos serões e fins de semana.

29 de Outubro de 2008

Espécies vegetais e outras que tais


Supreso fiquei ontem pela surpresa que em mim causo de ainda me surpreender com coisa alguma por estas terras.

Estando em azáfama matinal para me deslocar para o local onde diariamente labuto olho para o chão. E o que vejo? Algo inaudito. Pois é. Um cogumelo. Depois de baratas, ratos e mosquitos, eis que se junta a toda esta fauna alguma flora.

Vulgar champignon servido com bifinhos com natas na nossa gastronomia a nascer e a florescer no meu quarto de banho (banheiro para os que nos lêm la longe no Brasil).

Ofereço cogumelo a quem o queira desgustar embora em boa verdade suponha que neste mundo não andará muito mais tempo :)

À bientôt

Elogio à mulher moçambicana II

Deusas de mil sóis queimadas com uma musicalidade corporal que entretém, quero crer, até os menos másculos apetites, são as africanas de Moçambique entre as demais mulheres dignas de figurar no pódio de um pretenso jogos olímpicos senão da beleza da perfeição dos corpos.

Não há espécimens femêos assim em mais algum lugar do mundo. Por entre as tradicionais capolanas e ocidentais calças de ganga se denunciam carnes e glúteos firmes e delineados que qualidades genéticas sobrenaturais fizeram alargados à grande massa da população feminina senão do pais, pelo menos de Maputo.

São infindáveis os exemplos nas civilizadas sociedades de mulheres que diariamente e extenuadamente sacrificam seus corpos almejando tonificação e harmoniosidade de formas que as locais quase sobranceiramente, e direi mesmo orgulhosamente, passeiam nas calles desta urbe africana, sem para que tal tenham pingado gota de suor que fosse, tal é a bendita bênção que sobre elas pendeu.

À tez morena que ao sol brilha e no escuro se encobre, qual camaleão entre as ditas raças existentes no género humano, conjugam-se na perfeição dentes marfim e simpatia naturalmente prevalente em mulheres bonitas e de bem com a vida. E o aroma, ai que aroma.

Sendo repulsivo para alguns que, desconhecedores rejeitam as suas qualidades gourmet , encobre uma miríade de cheiros que nem flores de mil géneros poderiam proporcionar ao mais experimentado perfumista. Qual sobremesa deliciosa que aguça o apetite e fastio dos mais gulosos, a doçura escondida no corpo destas mulheres conduz invariavelmente ao pecado da gula. Mas atenção. Dizem os médicos que tudo deve ser consumido com moderação e prevenção. E com razão.

PS - Só para não te sentires desacompanhado Juca na apologia das virtudes da mulher local :)

28 de Outubro de 2008

Flower Power - festa 80's Contacto


Dia 24 de Outubro de 2008, no aclamado Rua D'Arte, a contactalhada desta presente edição levou a cabo uma festa de networking para todos os antigos Contactos e amigos.

Uma festa com muita animação, onde a música dos anos oitenta foi rainha! Aos convidados foram oferecidos comes e bebes.... muita caipirinha e sangria correram pela garganta abaixo...
Foram oferecidos shots aqueles que vieram vestidos ou foram portadores de utensílios da referida época de nossos pais...


A noite estava chuvosa e sendo o espaço ao ar livre, as condições estavam reunidas para condenar a festa ao fracasso, apesar dos chuviscos, as pessoas não desmobilizaram!
Há que realçar o empenho de todos, mas especialmente das meninas contacto (Maria João e Ana) para a realização desta festa.

A noite acabou com muita alegria e satisfação!

Escola primária de Kumbeza, distrito de Marracuene, província do Maputo

"Há contribuições sem explicação, os alunos são obrigados a pagar valores para a celebração do dia 1 de Junho, Dia da Criança, 16 de Junho, Dia da Criança Africana, 12 de Outubro, Dia do Professor, e quando os professores completam anos são lhes exigidas contribuições para fazer bolo. Há dias estavam a decorrer cobranças porque o director da escola faz anos no dia 30 do mês em curso.

Com o nosso salário magro quem vai aguentar com estas contribuições? Quando é que o professor vai contribuir para os alunos? E, como se não bastasse, ameaçam os alunos em não passar o Boletim de Passagem se estes não tirarem o dinheiro pretendido.

Ainda por cima, é nos exigido 25 meticais por cada criança para o pagamento do salário dos guardas."

in Notícias, 28 de Outubro de 2008

Reflexão de um Moçambicano fora de Moçambique

"Porque há uma grande variedade de comunidades residentes aqui, obviamente que a especialidade da cozinha também teria que ser diferente, consoante a culinária e gosto de cada cultura. Mas não é do menu ou da iguaria dos pratos que este meu texto de hoje se vai reflectir. É sobre a comida que os britânicos e todos outros consomem no Reino Unido, como também a quantidade que se deita no lixo. Como se sabe hoje há estatísticas para tudo e todos e, recentemente, foi revelado que no Reino Unido, há uma quantidade astronómica de comida desperdiçada, apenas por negligência humana. Rezam as estatísticas que cada residente deita por ano uma quantidade de comida ao lixo no valor aproximado a 450 libras. Se totalizarmos este número pela população actual teremos um valor incalculável desperdiçado que poderia ajudar uma nação inteira da Ásia ou África, por exemplo.

A quantidade de frutas e vegetais por exemplo que vai para o lixo todos os anos é aproximadamente de 525 mil toneladas, entre tomate, banana, maça, batata, laranja e outros. Só para ter uma ideia, 5,1 milhões de batata (produto principal) são atiradas ao lixo todos os dias e em média uma família deita uma terça parte da comida que compra. Uma grande parte destes produtos são comestíveis, o que segundo as estatísticas perfaz um valor calculado em 3 biliões de libras/ano que vão para o lixo. Muitas vezes não damos conta disso, apenas reflectimos quando os números vêm estampados e apercebemos que involuntariamente estamos a contribuir negativamente para a causa do planeta. Pessoalmente desde que li estes dados passei a ser mais responsável na escolha de produtos que consumo, evitando fazer compras para longo prazo. Se metade dos consumidores levarem isso em conta, muito produto será salvo de ir para o lixo e, consequentemente, ajudará na poupança de recursos naturais."

Carta de um leitor do Notícias

in Notícias, 28 de Outubro de 2008

7 de Outubro de 2008

Eu paro. Mas será que é mesmo preciso?


No dealbar deste outonal mês de Outubro, em outros locais que não Moçambique bem claro esteja, por terem querido os deuses que ao invés das vulgares quatro estações que ousadamente o celébre compositor glorificou e pôs sobre pauta clássica, só se tivesse direito a duas , - Inverno e Verão (até aqui fica patente o cariz discriminatório que no decurso da história recaiu sobre estas gentes. Pior ainda por ser o próprio criador quem o faz....embora confesso.....ser beeeem melhor assim), gostaria de discorrer alguma prosa acerca do temor que me aflige quanto às minhas capacidades de conduzir veiculos autómoveis de acordo com o exigível legalmente num porvir pós presença neste país.

A quem circula nas pouco alcatroadas e fértis em algo que eu reputo de "crateras" e não simples buracos, estradas, impacta desde logo o condicionalismo de serem obrigados a conduzir no lado errado da estrada. Sim. Eles por cá conduzem à Inglesa com o volante incluso à direita. Questiono-me interiormente..."o que fizeram os portugueses por cá, se nem conseguiram impor um correcto trafégo automóvel?:) Será o Rand sul-africano mecanismo de civilização dos tempos modernos?" Reflicto e chego a conclusões que razoes de nacionalidade me impedem de partilhar com o mui douto leitor.

Não fosse essa ja de si uma tarefa herculéa, para os mais desavindos a cambios de paradigmas de fluxos rodoviários, a isso acrescem lombas nao sinalizadas que o descuido do condutor faz voar durante alguns segundos sobre o pavimento, tal qual vemos em películas cinamatográficas yanques, quando em velocidade senao regulamentar, quase, no normal trânsito citadino.


Escapar da policia quando em operaçoes stop se é mandado parar é também prática comum e recomendada. Em primeira instância pela ausência de meios das forças policiais para perseguirem os fugitivos em ilegais ocorrências. E para mais resulta óbvia na equação entre a obrigatoriadade legal de cessar a marcha do veículo e pagar um "refresco" ao senhor agente qual a alternativa a escolher. Nenhuma delas. Assim, nem gastos de combustível por parte das muito debéis estruturas de autoridade locais, assim carros os tivessem, nem gastos no corromper de idóneos policias que no melhor interesse da economia nacional contribuem para o progresso da industria cervejeira (com qualidade de exportação afiança o Marketing de umas quantas).

Parar nas passadeiras, para-se impreterivelmente. Mas somente o peão. Porque carros não param nunca. Esteja verde ou vermelho para os que circulam nas vias pedonais. Ao transeunte não resta senão avançar destemido não vá nao chegar ao seu destino for falta de solidariedade dos automobilistas de ocasião.

Semaforos é para esquecer. A partir de certa hora da noite. é tudo verde. Somente ha que ter atenção e dar prioridade aos que a têm, ou não. Tudo depende da nossa disposição no momento.

É assim Maputo by night....e by day diga-se de passagem...mas com outro recato e consciência....

30 de Setembro de 2008

Comida Moçambicana



Muitos serão os leitores que se auto-intitulando de apreciadores de comida gourmet dificilmente capitulariam perante um prato de comida tipicamente moçambicana, por nao corresponder aos cânones que se auguram numa quotidiana ida a um qualquer tradicional restaurante de matriz europeia no que respeita à combinação de sabores e temperos. Nós por cá somos diferentes. Gostamos mesmo é de comer. Muito ou pouco, o que importa é que esteja bom.

Por não serem alheios aos produtos que de melhor esta terra oferece, os chefs têm pouco trabalho por estes lados. Nao pela ausência de saberes técnicos no que à preparação dos alimentos diz respeito, mas por ser notória a qualidade e sabor contida naturalmente nos preparados com que nos diariamente presenteiam.

Matapa de Caranguejo, Frango à Zambeziana, Camarão Grelhado à moçambicana, Peixe Serra e Vermelhão grelhados (acompanhados sempre com batatas fritas, em oposição com o que naturalmente se espera na Lusa pátria, batata cozida), são algumas das iguárias locais com que nossos estomagos se refastelaram nos ultimos meses.

Mais do que descrever, importa mostrar fotos do que por cá se come, que lamentavelmente serão poucas, pela sofreguidão com que nos apossamos das travessas, tendo em conta a já tradicional espera com que somos torturados nos restaurantes locais (uma refeição nunca demora menos de uma média de 2 horas. Por isso, importa sempre ir com tempo, e ja ter comido alguma coisa em casa...:)). Bom apetite. Porque os olhos.....esses....também comem.

24 de Setembro de 2008

Frases do Mural "Ode a Samora Machel"

Na Av. Marginal (mesmo em frente ao Clube Naval) encontra-se um mural com cerca de 700 metros cujo autor é Naguib, um pintor moçambicano. Com ajuda de um grupo de alunos de belas artes colocou estes azulejos o ano passado por ocasião do 120º aniversário da cidade de Maputo.
Estas são algumas frases mergulhadas entre um variado conjunto de imagens:

"Não se pergunta a um escravo se quer ser livre"
"A qualidade do moçambicano não se define pela cor. Não há minorias, há povo moçambicano"
"O ignorante é incompetente. O incompetente julga saber tudo."
"A emancipação da mulher não é um acto de caridade."

"O poder às facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Não façam da tarefa recebida um privilégio ou um meio de acumular bens ou distribuir favores." (Samora Machel)

"À terra entregamos apenas o teu corpo. Tu ficas connosco.
Um povo não se despede da sua História. SAMORA VIVE"


Para quem não sabe Samora Moisés Machel (1933-1986) foi um militar moçambicano, líder revolucionário da inspiração socialista que se tornou o primeiro presidente de Moçambique após sua independência , de 1975 a 1986. Carinhosamente conhecido como "o Pai da Nação", morreu quando o avião em que regressava a Maputo se despenhou em território sul-africano. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o Prémio Lenin da Paz.

23 de Setembro de 2008

Zambézia, Moçambique

Sete mil e cem petizes deixaram de estudar no ano passado no distrito de Mocuba, na província da Zambézia. As autoridades distritais da Educação, Juventude Ciência e Tecnologia afirmam que mesmo assim houve uma redução da evasão escolar, pois no ano anterior o número de desistências foi de 9700 alunos com maior enfoque para o Ensino Primário. Uma análise comparativa dos últimos dois anos 2006/2007 indica que a estratégia de mobilização social para manutenção das crianças na escola com vista ao alcance dos Objectivos do Milénio nesta área especifica, conseguiu apenas reter 2700 alunos, o que nem sequer chega a ser a metade dos desistentes.

in Notícias, 23 de Setembro de 2008

22 de Setembro de 2008

A mulher moçambicana

Várias sensibilidades ligadas ao sector da Educação na localidade de Belane, distrito de Vilankulo, em Inhambane, estão divididas quanto à manutenção ou não das alunas grávidas nas escolas. O facto é interpretado de maneiras diferentes. Enquanto uns defendem a sua retirada por o facto constituir mau exemplo para as restantes alunas, outros são mais tolerantes defendendo a sua manutenção, pois a sua retirada só iria estimular a situação de baixo nível de escolaridade da mulher, futuramente.

“Temos muitos casos de raparigas que engravidam de indivíduos casados, aliciando-as com bens materiais que trazem da África do Sul, onde geralmente trabalham”, exemplificou Isabel Ndinzane, directora de um estabelecimento de ensino.

Segundo a directora da escola, enquanto a implementação ou o cumprimento da lei sobre os direitos da criança continuar deficiente a mulher, sobretudo nas zonas rurais onde indivíduos do sexo feminino vivem na condição de reprodutora, apenas continuará a liderar a lista das pessoas mais pobres do país.

Indicou que, de acordo com a sua experiência, as famílias com menos posses, quando não têm capacidades financeiras para mandar todos os filhos à escola, optam sempre pelos varões, considerados o garante do futuro da família, em detrimento da rapariga.

in Notícias, 22 de Setembo de 2008

Um dia no Kruger Park - Southafrica