3 de Março de 2009

Kanimambo Moçambique

Por acreditar que tudo o que se inicia tem que se concluir, e nao deixar pura e simplesmente a meio, aqui segue o meu pequeno contributo final como que sinalizando aquilo que Moçambique significou e significa para mim no plano pessoal.

Moçambique significou um sem fim de aventuras inesquecíveis, calor e paisagens inebriantes, pôr de sóis magnificos e acima de tudo pessoas com qualidades humanas como julgo nao haver em outro lugar do mundo. Meu coração ficou cheio de África e acima de tudo meu coração ficou cheio de Moçambique. Kanimambo terra de boa gente por alguns dos mais felizes dias da minha vida.

Renasci para a vida e para os seus valores fundamentais: generosidade, humildade e dignidade porque mesmo em caréstia extrema sóis capaz de sorrir como relembrando-nos que a vida nao é um fardo mas uma benção. Obrigado meu deus, e a ti Moçambique até sempre. Peróla encrustada no meu coração. Ha tão pouco parti e ja tantas são as saudades....

9 de Fevereiro de 2009

Sexta-feira, dia do homem

Tarde ou cedo costumes e tradições ancestrais com benefícios óbvios no preservar do bem estar social caem em desuso. Também aqui em Moçambique isso acontece. Refiro-me à sexta feira como dia do homem. Forças feministas procurando estatuto igualitário no que respeita à igualdade dos sexos tentam denegrir uma caracteristíca sagrada no relacionamento entre homens o bonding. Sagrado porque Domingo também é dia do Senhor e poucos questionam a ida à missa.

Para os homens sexta-feira é para sair à rua beber, jogar cartas, pescar, etc, em, suma actividades essências na paz social de qualquer comunidade designadamente patrileníares, e que requeriam pelo menos uma vez na semana nenhuma interferência por parte da companheira (quem já não ouviu…Manuel estas a beber muito….Manuel passas a vida a jogar às cartas e só perdes dinheiro….). Era necessário descanso entendiam eles.

Pelo pragmatismo que me caracteriza entendo eu perfeitamente a lógica de tais assumpções pelas razões acima descritas e pelas abaixo enumeradas que são de ordem fundamentalmente mais prática:

1ª Ausência no shopping da mulher pelo menos uma vez na semana levaria ao equilibrar das finanças da franja maioritária das unidades familiares em Moçambique e diria no mundo;

2º Mulher teria mais tempo para se dedicar às tarefas domésticas para criar a harmonia perfeita no lar para quando seu senhor chegasse;

3º As crias do casal estariam mais bem cuidadas e preparadas para enfrentar o mundo enquanto adultos pelo enfoque particular que sua progenitora lhe dedicaria nesse dia – um ia por semana faz toda a diferença;

4ª Não sair de casa permitiria criar menos intrigas com outras mulheres e como tal contribuir para a paz nuclear da sua vila ou aldeia, muitas vezes como sabido maculadas por tais questões;

Em suma…o mundo seria sem dúvida melhor se forças maléficas não tentassem destruir o bem que já esta feito.

Estou como é óbvio a brincar leitoras .… quanto aos pontos que acima refiro, mas em Moçambique sexta-feira era mesmo deles…agora já não…e confesso que muito bem…porque europeus bem sequiosos se encontram de pelo menos duas vezes por semana verem mulatas e núbias em seus trajes apertados e corpos quase desnudos a dançar noite fora. Bem hajam Moçambicanas.

Pagar ou não pagar, eis um tiro no pe!

Estando os “velhos contactos” e um elemento dos recém chegados C13 com o inestimável Rui na noite da última sexta feira em amena cavaqueira na esplanada da Cervejaria Cristal, já em clima de despedida do nosso bom amigo e colega contacto Juca Lima Rosas, quando aos nossos ouvidos chega ruído de foguetes fora de reveillon. Pensei eu “o Benfica jogou hoje e sagrou-se campeão? Já em Fevereiro? O glorioso de facto é inescedível…..”.

Contudo aos primeiros “foguetes” seguiram-se uns quantos bem mais intensos e próximos dos nossos ouvidos que rapidamente retiraram quaisquer pensar de festejo futebolístico, senão irrealista bem merecido pela força da mística encarnada.

Eram tiros de armas de fogo. Reacção extemporânea de todos. Qual foi? Colocarem-se debaixo das mesas, primeiramente, seguidamente, correrem que nem loucos para se abrigarem no edifício principal do renomado restaurante de Maputo. Não chegaram sequer a entrar.

Alguns quantos intelectuais/clientes interessados que estavam na quebra momentânea do Armistício que o fim da guerra civil havia estabelecido, bloqueavam a entrada como que para ver o sangue das primeiras vitimas e o estatelar dos presuntos no chão. Pensei “Que abordagem académica tão interessante a desta gente! A fazer um estudo sociológico e comportamental da reacção de pânico de outros colegas clientes embora com risco da sua própria vida. Louvável. Para todos Doutoramento Honoris causa”. Enfim….sem palavras.

Tudo se sanou contudo sem mais demora ou dano. Parou o ruído. E todos se repuseram onde anteriormente descansadamente se quedavam.

Diligências posteriores de detectives de ocasião apuraram que pressionar das espingardas se havia devido a um lapso. E como há que não correr riscos a policia antes atira e depois pergunta. Porque com a ordem e a lei não se brinca.

Dizem então os factos que a policia foi chamada por alguém para sanar um conflito que à altura da sua chegada os agentes da autoridade desconheciam qual seria. Ao se aproximarem do local da disputa vêm um individuo rapidamente a por-se no carro e a arrancar. Por terem pensado ser um ladrão de automóvel em fuga, puseram-se no seu encalço ao bom estilo do velho farwest, para finalmente o travarem pouco mais à frente. E como não querendo que falta de respeito passasse impune deram ao fugitivo um tiro no pé - ao que parece prática comum na policia local por não por em risco a vida dos criminosos e lhes relembrar que com a policia não se pode brincar.

Não roubando um carro, não pagou uma cerveja, mas ficou com uma bala alojada no pé pela cerveja que não quis pagar….. souvenir policial.

Boda africana

O penúltimo mês do ano transacto foi para os moradores da Rua Augusto César Cardoso nº492 1º andar em Maputo mais uma amostra do experienciar constante de momentos únicos, indefiníveis e irrepetíveis que África nos proporciona quando disponíveis nos encontramos a apreciar e deixar envolver na teia que estas culturas enleiam e que irremediavelmente nos deixam enamorados pelo viver destas gentes. Falo particularmente do acto cerimonial boda matrimonial. Por termos sido convidados, estivemos presentes, neste episódio único da vida da filha de nossa senhoria, e espera-se de seu consorte. Ajuntou-se este “espera-se” por em Moçambique ser aceite como prática comum o fenómeno da Casa 1, Casa 2, Casa 3 ou quantas casas se possa sustentar. Em outras palavras, os machos naturais do território podem praticar a poligamia sem que tal geralmente se constitua como socialmente mal aceite por ao homem, e direi eu com justiça, se conceder o direito e dever de espalhar a semente por estas já muito povoadas terras de África, ainda para mais quando muitas esposas e consequentes filhos eram tradicionalmente no antanho garantia de mão de obra para cultivar as machambas e como tal garantir sobrevivência. Contudo, a estrangeiros tal previlégio não é permitido, a meu ver lamentavelmente, por se constituir como um atentado aos direitos de igualdade de usufruto que organismos internacionais deveriam velar por garantir por se constituir um eixo de cooperação estratégica que claramente beneficiária as relações entre o mundo ocidental e africano …. enfim que dizer!!!!!lolololol! A casa branca ou palácio dos casamentos como é comumente conhecido o local onde as gentes mais remediadas se unem numa parceria para a vida, situa-se na principal rua de Maputo, Julius Nyenere, sendo muito comum que vários casamentos se celebrem ao mesmo tempo numa lógica óbvia de maximização de tempo e recursos. Ficou esta jornada do nosso périplo africano também marcada pela concessão a muito custo permitida de algumas palavras a uma televisão local que muito convenientemente se deslocou ao antro dos casadoiros sob o pretexto da questão “Tudo é justificável em nome do amor?” . Pelos vistos sim, até o casamento J Bastara por ora de prosa. Imagens e vídeos mostram o que palavras não poderão contar capazmente

4 de Dezembro de 2008

Maria Joana

Num bairro do Grande Maputo, encontra-se Maria Joana. De rosto enrugado, carrega nos braços o seu "bocado": quatro tomates, duas batatas e pó de caril para "escapar à miséria". Perdeu o marido no tempo em que se enganava a fome com talos de repolho. Hoje, para Maria, mãe de seis filhos, cair na esteira sem a barriga numa moinha é fortuna de dia de festa. Depois de entregar os artigos de cozinha à filha mais velha, parte para o bairro da Sommerschield onde trabalha como doméstica. Aufere dois mil meticais/mês. Guardar dinheiro "nunca mais". Não sobra nada. A gestão mensal fá-la na ponta da capulana, não chega ao banco. "E vai-se tão depressa! Quando chega já tem destino. O que nos pagam é uma desgraça. Agora só queria amealhar para o meu funeral, para não dar essa despesa aos meus filhos."

Para sobreviver, Maria aproveita o que considera serem desperdícios em casa dos seus patrões: "Não fossem os bocados que sobram das refeições dos senhores, não sei o que seria dos meus filhos", queixa-se da vida. Contudo, no imaginário da anciã, a culpa é deste sistema que "marginaliza o povo". "Quando o tempo era outro e as coisas estavam organizadas, pelo menos, tínhamos um quilo de arroz para todos. Agora, alguns têm tudo e nós nada", refere.

Quando perdeu o marido, tinha 36 anos e seis filhos, dois dos quais à entrada da adolescência. Sentiu-se perdida, mas foram-lhe exigidas forças para cuidar dos filhos. Nos anos 80, começou a trabalhar na Texlom, uma indústria têxtil na Matola, mas na década de 90 a empresa fechou e, à semelhança de muitos moçambicanos, engrossou a fila dos desempregados no país. Sem nenhuma formação académica para disputar um emprego formal, Maria começou a trabalhar como doméstica.


Extracto de um artigo do Jornal @Verdade de hoje, da autoria de Rui Lamarques.

Lobolo - regra social moçambicana

"Para a secretária da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), a nível da cidade de Maputo, Generosa Cossa, o lobolo é uma forma simples e isenta da burocracia do Estado de contrair matrimónio acessível para pessoas de todos os estatutos sociais, tanto nas zonas urbanas como nas zonas rurais.

O lobolo tem funções claras dentro de uma sociedade que são uma forma tradicional de celebração de matrimónio; uma forma de mostrar o amor que um homem sente por uma mulher; de mostrar o respeito pela família da futura esposa, para além de que também serve para unir as duas famílias em redor da construção de uma nova família. No entanto, Generosa Cossa não concorda com as altas somas de dinheiro cobradas por alguns pais em nome do lobolo de suas filhas. “Não concordo, mas se for essa a vontade da família da noiva deve ser respeitada”.

Para Generosa Cossa, o lobolo não pode compensar nem pagar o trabalho que a família teve para gerar, criar e educar uma filha, mas simplesmente pode mostrar um sentimento de gratidão da família que vai se beneficiar do convívio e trabalho desta nova filha que passará a pertencer à família do noivo.

Questionada se os valores altos cobrados pelos pais da noiva ao noivo, significam oportunismo ou dinâmica cultural, Generosa Cossa respondeu nos seguintes termos: é relativo. Na zona do Sábiè, província do Maputo, há 35 ou 40 anos cobravam quinze cabeças de gado pelo lobolo. Hoje acredito que dificilmente alguém cobre este valor. É mais uma dinâmica cultural do que oportunismo. Na verdade, o valor cobrado é mais um teste para confirmar a capacidade do futuro genro de cuidar da filha de acordo com o estatuto socio-económico que ele tem.

Generosa Cossa também foi questionada sobre até que ponto é justo lobolar cadáveres porque em vida o marido não o fez e, a resposta foi: é relativo e depende do relacionamento que o viúvo teve com a família da defunta. Na maioria dos casos, vejo isto como uma punição e manifestação de insatisfação por parte da família da noiva pela forma como o genro os tratou enquanto a filha estava viva. Na óptica deles, o genro desrespeitou e desonrou a família de várias formas, expressas por não aceitar pagar o lobolo.

Para a sua definição a nível da antropologia, lobolo é designado por compensação material e em outras culturas é designado por dotes. Na Europa, por exemplo, o dote é dado pela rapariga ao rapaz. Em Moçambique, a compensação é feita de homens para mulheres, isto é, os familiares do rapaz é que compensam os da rapariga.Por seu turno, para Marta Obadias, uma anciã que já tem três filhas loboladas, esta prática é uma cerimónia em que a linhagem de uma mulher é economicamente compensada pela passagem dos direitos sobre os eventuais descendentes dessa mulher para a linhagem do marido, pelo que os filhos dela passarão a ter plenos direitos de pertença à linhagem paterna.

Segundo esta anciã, as modalidades em que é praticado hoje o lobolo são completamente diferentes das do seu tempo. “Hoje em dia, o valor do lobolo depende também das qualidades da rapariga, porque se for uma mulher formada vai custar muito mais caro. Cobram-se as qualidades dela e os investimentos em educação, o que não acontecia antigamente”, explicou. Para Marta Obadias, mesmo reconhecendo que não se devia cobrar grandes somas de dinheiro, o uso da palavra pagamento para se referir ao lobolo não é correcto, o termo certo é compensação, porque na verdade não se trata de comprar nada. Também acredita que o custo de vida possa estar por detrás destas cobranças de valores altos. “Eu fui anelada por duas cabeças de boi, uma fêmea e um macho. O que é que isso significa hoje? De certeza que estaria acima de 20 mil meticais, sem incluir a roupa da noiva e dos pais”.

Variando de família para família, no lobolo entram cabeças de gado, galinhas, tecidos, bebidas, alimentos, ferramentas, dinheiro e outros bens para os pais, tios e avós e roupa para a noiva.

Para a secretária nacional da APOSEMO, Isaura Fernandes, o lobolo é um ritual que simboliza a saída da mulher para a família do marido e enche de orgulho as famílias que lobolam suas filhas. “Os meus pais falavam de lobolo com muito respeito e a mulher lobolada era respeitada no seio da sua comunidade e familiares e o próprio homem tinha orgulho em afirmar que lobolei a minha mulher”. Recordou-se que nessa altura lobolava-se com valores baixos e não com grandes somas de dinheiro como acontece hoje, em que alguns pais chegam a exigir 20 mil meticais ou mais, dependendo do nível de formação da sua filha. “Lobolo não era uma palavra tão banalizada como é hoje, acredito que o acto foi perdendo consideração quando as famílias começaram a pedir valores elevados, associando o acto à venda da rapariga”. Por outro lado, lamenta que se faça lobolo de mulheres já mortas para castigar o marido que não cumpriu esta norma social . “Penso que os pais e toda a família têm o papel de educar os seus filhos a respeitar as normas e regras sociais. Se a família da rapariga exige o lobolo é preciso respeitar isso, porque não é saudável esperar que ela morra para resolver o problema do lobolo que não foi feito quando ela esteve viva”.

in Notícias, 21 de Novembro de 2008

Fim de semana solidário

Solidariedade

"É uma palavra diferente, é uma palavra que incomoda um pouco. Incomoda porque é o seu significado que faz mexer. Fundamenta-se em valores que não conseguimos quantificar por maior que seja o número de meticais ou euros.

Ser solidário é, acima de tudo, respeitar incondicionalmente tudo o que nos rodeia.
Ser solidário é sentir a capacidade íntima de partilhar.
Ser solidário é perceber que a alegria de dar é indiscutivelmente superior à alegria de receber.
Ser solidário é perceber que as diferenças só existem porque é mais fácil criar distâncias do que gerir dificuldades.
Ser solidário é estender a mão sem olhar à cor, ao sexo, ao estatuto social (ou à falta de conta bancária).

Solidariedade é um valor no qual acreditamos.

"No último fim de semana de Outubro, o Rua d'Arte lançou o seu projecto Fim de Semana Solidário. Este projecto consiste em ajudar várias instituições que desenvolvem um trabalho com impacto positivo na sociedade moçambicana. No último fim de semana de cada mês o Rua d'Arte realizará sempre esta iniciativa, que consiste em angariar, através dos seus eventos (jazz, fotografia, cinema, teatro, festas, etc.), material escolar e fundos para reabilitação ou melhoria de infra-estruturas.

Na primeira edição do Fim de Semana Solidário, foram apoiadas duas instituições: a AVOMACC (Associação Voluntária de Mães e Crianças Carenciadas) e o Centro da Boa Esperança de Xipamanine.






A partir de hoje, e durante todo o fim de semana, será apoiada a CERCI - Centro de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados, com o objectivo de conseguir promover a inserção social e a reabilitação de crianças com deficiência mental.

3 de Novembro de 2008

Eleições a 19 de Novembro, faça chuva ou faça sol...


Dia 19 de Novembro, cada eleitor moçambicano terá o direito (e dever) de se deslocar às urnas para eleger o candidato ao seu município….

Por Decreto-Lei, dia de eleições é “feriado”, com o intuito para levar as pessoas às urnas. Infelizmente, a participação nas eleições tem sido muito fraca. As pessoas não demonstram qualquer regozijo e vontade de ir exercer o direito democrático. Essa “preguiça democrática” está bem patente nas altas taxas de abstenção… a razão poderá ser dada pelo “estado das coisas”, e a descredibilidade dos agentes políticos no seio do povo, devido aos inúmeros casos de corrupção.

A administração central tem vindo a fazer uma activa promoção das eleições assente no lema: “vou votar, faça chuva, faça sol”… Vamos lá ver se resulta…
Tudo aponta que estas eleições correrão pelo melhor ao partido no poder, a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Este é o único partido com dimensão e influencia neste país, o resto (RENAMO, …) não passa de uma oposição frágil e de fachada… Uma pena, assim nunca se conseguirá atingir uma democracia estável e madura em Moçambique…

A par de atrasos na entrega das listas de candidatos à Comissão Nacional de Eleições (por falta de documentos), uns casos polémicos na escolha de candidatos (cidade da Beira, Simango não foi reconduzido ao cargo… cidade de Maputo, Comiche foi afastado…), uns casos de corrupção (ex-ministro preso por ter desviado uns milhões de meticais) tudo tem corrido pelo melhor!
Uma coisa é certa, estamos perto das eleições e ainda não vi um programa… se calhar, não é usual em Moçambique apresentar-se um programa, basta mostrar a cara e a bandeira do partido… No entanto, para dizer mentiras e enganar o povo, mais vale mesmo é não dizer nada…

Como nunca vi um programa, vou dar uma dica aos candidatos ao município de Maputo!

Primeiro, caro candidatos, o vosso programa tem de convergir com o do governo (PARPA) com o principal objectivo de reduzir a pobreza, atingindo os Objectivos Do Milénio (ODM).
Em segundo lugar, é extremamente importante conseguir atrair mais investimento estrangeiro e nacional para o nosso município, o que irá gerar riqueza e emprego. As nossas condições são boas, temos um porto, os CFM, a África do Sul, recursos humanos e uma vontade enorme de trabalhar!
Só criando riqueza é que nós teremos condições de dar melhor condições de vida ao nosso povo. Só com Crescimento Económico Sustentável é que atingiremos o Desenvolvimento Sustentável.
Teremos também de uma forma geral:
- melhorar as condições de saúde do município
- melhor as redes de saneamento e de distribuição de água e luz
- Apostar na formação das pessoas…
Esta é a minha visão… espero que contribuí para a elaboração do vosso programa eleitoral… e espero vê-lo brevemente, pelo menos, dois dias antes da eleições…

“VÁ VOTAR, FAÇA CHUVA, FAÇA SOL”

31 de Outubro de 2008

7 Maravilhas de Maputo

Venho aqui expôr uma iniciativa que me chamou a atenção.

Por ocasião dos 121 anos da elevação de Maputo a cidade o jornal, de distribuição gratuita, “A Verdade” (familiar do português “Destak”) vem organizar um sufrágio com vista à eleição das 7 maravilhas da cidade de Maputo. Como tal foi estabelecida uma lista de “14 locais – edifícios, pontos geográficos, históricos, etc. – incortornáveis para quem visita a cidade das acácias”, que serão submetidas ao voto popular. Nesta lista temos:


SM 1 – Sé





SM 2 – Mesquita da Baixa



SM 3 – Mercado Central de Maputo




SM 4 – Igreja Polana



SM 5 – Estação de Caminho de Ferro


SM 6 – Fortaleza




SM 7 – Casa de Ferro



SM 8 – Praça dos Heróis Moçambicanos



SM 9 – Vista da Marginal



SM 10 – Hotel Polana


SM 11 – Museu de Historia Natural


SM 12 – Rua Bagamoyo, também conhecida como sendo a rua do luso (e neste blog ainda como “Rua do Crime”)



SM 13 – Mercado de Xipamanine




SM 14 – Vista do Hotel Cardoso


Quem estiver interessado em participar nesta iniciativa pode enviar a sua intenção de voto (num dos locais), até ao dia 9 de Novembro, para o seguinte endereço averdademz@gmail.com. Chegados a dia 10 de Novembro, a data histórica em questão, serão revelados os locais laureados com tão honorosa distinção.

Para os que ainda não estiveram em Maputo esta lista pode servir para vos dar uma pequena amostra do que poderão ver quando, de futuro, visitarem a cidade.

Vamos ajudar a reduzir a lista! Venham daí esses votos!!

A costela Portuguesa em todo o Moçambicano

Pese embora seja usualmente aceite que portugueses e moçambicanos nao se cotejam por diferenças culturais abismais os oporem, as verdades do quotidiano não o confirmam. Designadamente no que respeita a um aspecto primário da vida, o seu gozo.

O conceito, vida, encerra desde logo nuances de que todo e qualquer sujeito usufrui em maior ou menor escala em dependência do prazer que desses actos retira. E no meu caso, referir-me-ei em primária instância ao acto de comer. Porque o adoro fazer.

Reparei desde logo que também em Moçambique, a utilização de manteiga é recorrente. Seja no pão, no peixe, no camarão, na carne, em suma em quase tudo que seja comestível. A expressão Prego Roll ja alguma vez chegou aos seus ouvidos? Não é mais nada senão o nosso bem português prego, tipicamente um misto de carne de porco frita ensanduichada em duas fatias do popularmente celébre Papo-seco. Contudo aqui o acompanhamento é bem mais caloríco. Uma generosa dose de batatas fritas, sendo o pao ensopado em manteiga, o que se supõe pretenda acrescentar sabor ao bife que sendo tenro e com tempero de vinha de alhos, é divinal, tal como em Portugal...e ousarei dizer nalguns casos bem melhor que no país donde é originário. Sul-africanos e expatriados de outras nacionalidades em presença no país se deleitam quando degustam tão simples sandwiche.

Diz-lhe alguma coisa o ficar longas tardes sem fazer nada em qualquer esplanada a bebericar sumo de cevada deglutindo complementarmente amendoins torrados? Por cá tambem eles sabem o que isso é. Acrescentam contudo algum valor acrescentado a este momento rotineiro de lazer, carregando arcas com o precioso liquido nas malas dos seus bem cuidados bolídes, usualmente produzidos na penúltima década do século passado e de importação asiática, e dirigem-se para a costa onde já amiúdados convivas os aguardam com seus carros a debitar décibeis em full volume, como que seleccionando melodias a que todos são obrigados a ouvir, assim nao haja vontade de competir musicalmente com o carro do lado.

Como bom português é o caro leitor indíviduo de gostar de argumentar com outros individuos sem nada falarem que seja de real interesse e conteúdo, o vulgar dizer nada de jeito? Também aqui os Moçambicanos prezam a sua non sense conversation.

Outro aspecto que nos aproxima é sem dúvida o futebol. E nao falo do espectáculo futebolistico em si. Mas a paixão pelos clubes, mormente portugueses que acalentam acaloradas discussoes entre Moçambicanos de gema que nunca jamais se deslocaram ou presenciaram jogos do principal campeonato portugues. Conheci por cá adeptos do Benfica, do Sporting, do Porto e inclusivamente do Boavista. Imaginem!! Acreditem que cá tambem os vivem intensamente..

Entende então o caro leitor as razões para tantos indivíduos oriundos da pátria lusa por cá se sentirem bem? Estão em casa....mas uma casa portuguesa nos trópicos.

30 de Outubro de 2008

Televisão Independente de Moçambique OLÉEE

A televisão em Moçambique é sinónimo do que de melhor se faz no mundo. Países como El Salvador, Burkina Faso, Nepal e até, atrevo-me a dizer Ilha de Man (para os mais desatentos nação independente que flutua ao largo do Mar do Norte), invejarão sem a menor dúvida a grelha de programação neste país. E aqui refiro-me designadamente à Televisão Independente de Moçambique, sob o acrónimo TIM.

Esta emissora em sinal aberto pontifica entre as demais pela recursividade utilizada para pôr ao dispôr dos telespectadores o que de melhor se faz no mundo em termos de conteúdos televisivos, mormente norte-americanos.

É prática recorrente, de acordo com os rumores que não correm depressa mas devagar, como aliás tudo neste bendito país, o download de filmes e programas televisivos directamente da world wide Web para a sala de estar de todo e qualquer moçambicano.

Na falta de tempo para tal cuidado, compra-se DVD na esquina mais próxima, de preferência “pirata”, e exibe-se em antena aberta filme adquirido para uso pessoal. Problema é esquecerem-se de no fim do filme retirarem o disco do leitor, e ficar durante alguns segundos o Menu do DVD no meio do nosso ecrã. E nós impossibilitados de mudar legendas, visionar extras, ou ir directamente para algumas cenas por estar o leitor a vários quilometros de distância, isto é nas instalações da TIM. Não se faz. Também temos o nosso direito a querer ver o filme com legendas em Alemão ou Hebraico.

Coloca-se aqui uma questão que me parece relativamente sem impôrtancia. Os direitos de autor. Não é todo e qualquer Moçambicano parte da mesma nação e como tal integrante de uma família mais ou menos alargada? Ainda para mais resulta óbvia na minha mente a conclusão que todos se constituem de linhagem directa uns dos outros, não fosse eu ouvir frequentemente chamar Mamma e Pappa em todas as esquinas. Até a mim, branco caucasiano. E eu não sou pai ou mãe de ninguém, ainda.

Desse ponto de vista não me parece errado quebrar as leis de copyright mundialmente estabelecidas.

Premeia-nos também a TIM com desafios de futebol interessantíssimos de campeonatos tão excitantes como o escocês e português, nos mesmos moldes de partilha desabrida do património de sinal que sendo privado é público por razões de interesse nacional.

Permitam-me contudo que sugira, e ao mesmo tempo lamente, o facto de não cobrirem o campeonato de futebol Polaco, Húngaro, Chinês, ou no plano regional Namibiano. Por serem também esses alvo do interesse de todos os amantes do futebol que entre os demais os elegem superiores.

Por tudo isto um grande bem haja TIM. Só tu alegras nossos serões e fins de semana.

29 de Outubro de 2008

Espécies vegetais e outras que tais


Supreso fiquei ontem pela surpresa que em mim causo de ainda me surpreender com coisa alguma por estas terras.

Estando em azáfama matinal para me deslocar para o local onde diariamente labuto olho para o chão. E o que vejo? Algo inaudito. Pois é. Um cogumelo. Depois de baratas, ratos e mosquitos, eis que se junta a toda esta fauna alguma flora.

Vulgar champignon servido com bifinhos com natas na nossa gastronomia a nascer e a florescer no meu quarto de banho (banheiro para os que nos lêm la longe no Brasil).

Ofereço cogumelo a quem o queira desgustar embora em boa verdade suponha que neste mundo não andará muito mais tempo :)

À bientôt

Elogio à mulher moçambicana II

Deusas de mil sóis queimadas com uma musicalidade corporal que entretém, quero crer, até os menos másculos apetites, são as africanas de Moçambique entre as demais mulheres dignas de figurar no pódio de um pretenso jogos olímpicos senão da beleza da perfeição dos corpos.

Não há espécimens femêos assim em mais algum lugar do mundo. Por entre as tradicionais capolanas e ocidentais calças de ganga se denunciam carnes e glúteos firmes e delineados que qualidades genéticas sobrenaturais fizeram alargados à grande massa da população feminina senão do pais, pelo menos de Maputo.

São infindáveis os exemplos nas civilizadas sociedades de mulheres que diariamente e extenuadamente sacrificam seus corpos almejando tonificação e harmoniosidade de formas que as locais quase sobranceiramente, e direi mesmo orgulhosamente, passeiam nas calles desta urbe africana, sem para que tal tenham pingado gota de suor que fosse, tal é a bendita bênção que sobre elas pendeu.

À tez morena que ao sol brilha e no escuro se encobre, qual camaleão entre as ditas raças existentes no género humano, conjugam-se na perfeição dentes marfim e simpatia naturalmente prevalente em mulheres bonitas e de bem com a vida. E o aroma, ai que aroma.

Sendo repulsivo para alguns que, desconhecedores rejeitam as suas qualidades gourmet , encobre uma miríade de cheiros que nem flores de mil géneros poderiam proporcionar ao mais experimentado perfumista. Qual sobremesa deliciosa que aguça o apetite e fastio dos mais gulosos, a doçura escondida no corpo destas mulheres conduz invariavelmente ao pecado da gula. Mas atenção. Dizem os médicos que tudo deve ser consumido com moderação e prevenção. E com razão.

PS - Só para não te sentires desacompanhado Juca na apologia das virtudes da mulher local :)

28 de Outubro de 2008

Flower Power - festa 80's Contacto


Dia 24 de Outubro de 2008, no aclamado Rua D'Arte, a contactalhada desta presente edição levou a cabo uma festa de networking para todos os antigos Contactos e amigos.

Uma festa com muita animação, onde a música dos anos oitenta foi rainha! Aos convidados foram oferecidos comes e bebes.... muita caipirinha e sangria correram pela garganta abaixo...
Foram oferecidos shots aqueles que vieram vestidos ou foram portadores de utensílios da referida época de nossos pais...


A noite estava chuvosa e sendo o espaço ao ar livre, as condições estavam reunidas para condenar a festa ao fracasso, apesar dos chuviscos, as pessoas não desmobilizaram!
Há que realçar o empenho de todos, mas especialmente das meninas contacto (Maria João e Ana) para a realização desta festa.

A noite acabou com muita alegria e satisfação!

Escola primária de Kumbeza, distrito de Marracuene, província do Maputo

"Há contribuições sem explicação, os alunos são obrigados a pagar valores para a celebração do dia 1 de Junho, Dia da Criança, 16 de Junho, Dia da Criança Africana, 12 de Outubro, Dia do Professor, e quando os professores completam anos são lhes exigidas contribuições para fazer bolo. Há dias estavam a decorrer cobranças porque o director da escola faz anos no dia 30 do mês em curso.

Com o nosso salário magro quem vai aguentar com estas contribuições? Quando é que o professor vai contribuir para os alunos? E, como se não bastasse, ameaçam os alunos em não passar o Boletim de Passagem se estes não tirarem o dinheiro pretendido.

Ainda por cima, é nos exigido 25 meticais por cada criança para o pagamento do salário dos guardas."

in Notícias, 28 de Outubro de 2008

Reflexão de um Moçambicano fora de Moçambique

"Porque há uma grande variedade de comunidades residentes aqui, obviamente que a especialidade da cozinha também teria que ser diferente, consoante a culinária e gosto de cada cultura. Mas não é do menu ou da iguaria dos pratos que este meu texto de hoje se vai reflectir. É sobre a comida que os britânicos e todos outros consomem no Reino Unido, como também a quantidade que se deita no lixo. Como se sabe hoje há estatísticas para tudo e todos e, recentemente, foi revelado que no Reino Unido, há uma quantidade astronómica de comida desperdiçada, apenas por negligência humana. Rezam as estatísticas que cada residente deita por ano uma quantidade de comida ao lixo no valor aproximado a 450 libras. Se totalizarmos este número pela população actual teremos um valor incalculável desperdiçado que poderia ajudar uma nação inteira da Ásia ou África, por exemplo.

A quantidade de frutas e vegetais por exemplo que vai para o lixo todos os anos é aproximadamente de 525 mil toneladas, entre tomate, banana, maça, batata, laranja e outros. Só para ter uma ideia, 5,1 milhões de batata (produto principal) são atiradas ao lixo todos os dias e em média uma família deita uma terça parte da comida que compra. Uma grande parte destes produtos são comestíveis, o que segundo as estatísticas perfaz um valor calculado em 3 biliões de libras/ano que vão para o lixo. Muitas vezes não damos conta disso, apenas reflectimos quando os números vêm estampados e apercebemos que involuntariamente estamos a contribuir negativamente para a causa do planeta. Pessoalmente desde que li estes dados passei a ser mais responsável na escolha de produtos que consumo, evitando fazer compras para longo prazo. Se metade dos consumidores levarem isso em conta, muito produto será salvo de ir para o lixo e, consequentemente, ajudará na poupança de recursos naturais."

Carta de um leitor do Notícias

in Notícias, 28 de Outubro de 2008

7 de Outubro de 2008

Eu paro. Mas será que é mesmo preciso?


No dealbar deste outonal mês de Outubro, em outros locais que não Moçambique bem claro esteja, por terem querido os deuses que ao invés das vulgares quatro estações que ousadamente o celébre compositor glorificou e pôs sobre pauta clássica, só se tivesse direito a duas , - Inverno e Verão (até aqui fica patente o cariz discriminatório que no decurso da história recaiu sobre estas gentes. Pior ainda por ser o próprio criador quem o faz....embora confesso.....ser beeeem melhor assim), gostaria de discorrer alguma prosa acerca do temor que me aflige quanto às minhas capacidades de conduzir veiculos autómoveis de acordo com o exigível legalmente num porvir pós presença neste país.

A quem circula nas pouco alcatroadas e fértis em algo que eu reputo de "crateras" e não simples buracos, estradas, impacta desde logo o condicionalismo de serem obrigados a conduzir no lado errado da estrada. Sim. Eles por cá conduzem à Inglesa com o volante incluso à direita. Questiono-me interiormente..."o que fizeram os portugueses por cá, se nem conseguiram impor um correcto trafégo automóvel?:) Será o Rand sul-africano mecanismo de civilização dos tempos modernos?" Reflicto e chego a conclusões que razoes de nacionalidade me impedem de partilhar com o mui douto leitor.

Não fosse essa ja de si uma tarefa herculéa, para os mais desavindos a cambios de paradigmas de fluxos rodoviários, a isso acrescem lombas nao sinalizadas que o descuido do condutor faz voar durante alguns segundos sobre o pavimento, tal qual vemos em películas cinamatográficas yanques, quando em velocidade senao regulamentar, quase, no normal trânsito citadino.


Escapar da policia quando em operaçoes stop se é mandado parar é também prática comum e recomendada. Em primeira instância pela ausência de meios das forças policiais para perseguirem os fugitivos em ilegais ocorrências. E para mais resulta óbvia na equação entre a obrigatoriadade legal de cessar a marcha do veículo e pagar um "refresco" ao senhor agente qual a alternativa a escolher. Nenhuma delas. Assim, nem gastos de combustível por parte das muito debéis estruturas de autoridade locais, assim carros os tivessem, nem gastos no corromper de idóneos policias que no melhor interesse da economia nacional contribuem para o progresso da industria cervejeira (com qualidade de exportação afiança o Marketing de umas quantas).

Parar nas passadeiras, para-se impreterivelmente. Mas somente o peão. Porque carros não param nunca. Esteja verde ou vermelho para os que circulam nas vias pedonais. Ao transeunte não resta senão avançar destemido não vá nao chegar ao seu destino for falta de solidariedade dos automobilistas de ocasião.

Semaforos é para esquecer. A partir de certa hora da noite. é tudo verde. Somente ha que ter atenção e dar prioridade aos que a têm, ou não. Tudo depende da nossa disposição no momento.

É assim Maputo by night....e by day diga-se de passagem...mas com outro recato e consciência....

30 de Setembro de 2008

Comida Moçambicana



Muitos serão os leitores que se auto-intitulando de apreciadores de comida gourmet dificilmente capitulariam perante um prato de comida tipicamente moçambicana, por nao corresponder aos cânones que se auguram numa quotidiana ida a um qualquer tradicional restaurante de matriz europeia no que respeita à combinação de sabores e temperos. Nós por cá somos diferentes. Gostamos mesmo é de comer. Muito ou pouco, o que importa é que esteja bom.

Por não serem alheios aos produtos que de melhor esta terra oferece, os chefs têm pouco trabalho por estes lados. Nao pela ausência de saberes técnicos no que à preparação dos alimentos diz respeito, mas por ser notória a qualidade e sabor contida naturalmente nos preparados com que nos diariamente presenteiam.

Matapa de Caranguejo, Frango à Zambeziana, Camarão Grelhado à moçambicana, Peixe Serra e Vermelhão grelhados (acompanhados sempre com batatas fritas, em oposição com o que naturalmente se espera na Lusa pátria, batata cozida), são algumas das iguárias locais com que nossos estomagos se refastelaram nos ultimos meses.

Mais do que descrever, importa mostrar fotos do que por cá se come, que lamentavelmente serão poucas, pela sofreguidão com que nos apossamos das travessas, tendo em conta a já tradicional espera com que somos torturados nos restaurantes locais (uma refeição nunca demora menos de uma média de 2 horas. Por isso, importa sempre ir com tempo, e ja ter comido alguma coisa em casa...:)). Bom apetite. Porque os olhos.....esses....também comem.

24 de Setembro de 2008

Frases do Mural "Ode a Samora Machel"

Na Av. Marginal (mesmo em frente ao Clube Naval) encontra-se um mural com cerca de 700 metros cujo autor é Naguib, um pintor moçambicano. Com ajuda de um grupo de alunos de belas artes colocou estes azulejos o ano passado por ocasião do 120º aniversário da cidade de Maputo.
Estas são algumas frases mergulhadas entre um variado conjunto de imagens:

"Não se pergunta a um escravo se quer ser livre"
"A qualidade do moçambicano não se define pela cor. Não há minorias, há povo moçambicano"
"O ignorante é incompetente. O incompetente julga saber tudo."
"A emancipação da mulher não é um acto de caridade."

"O poder às facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Não façam da tarefa recebida um privilégio ou um meio de acumular bens ou distribuir favores." (Samora Machel)

"À terra entregamos apenas o teu corpo. Tu ficas connosco.
Um povo não se despede da sua História. SAMORA VIVE"


Para quem não sabe Samora Moisés Machel (1933-1986) foi um militar moçambicano, líder revolucionário da inspiração socialista que se tornou o primeiro presidente de Moçambique após sua independência , de 1975 a 1986. Carinhosamente conhecido como "o Pai da Nação", morreu quando o avião em que regressava a Maputo se despenhou em território sul-africano. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o Prémio Lenin da Paz.

23 de Setembro de 2008

Zambézia, Moçambique

Sete mil e cem petizes deixaram de estudar no ano passado no distrito de Mocuba, na província da Zambézia. As autoridades distritais da Educação, Juventude Ciência e Tecnologia afirmam que mesmo assim houve uma redução da evasão escolar, pois no ano anterior o número de desistências foi de 9700 alunos com maior enfoque para o Ensino Primário. Uma análise comparativa dos últimos dois anos 2006/2007 indica que a estratégia de mobilização social para manutenção das crianças na escola com vista ao alcance dos Objectivos do Milénio nesta área especifica, conseguiu apenas reter 2700 alunos, o que nem sequer chega a ser a metade dos desistentes.

in Notícias, 23 de Setembro de 2008

22 de Setembro de 2008

A mulher moçambicana

Várias sensibilidades ligadas ao sector da Educação na localidade de Belane, distrito de Vilankulo, em Inhambane, estão divididas quanto à manutenção ou não das alunas grávidas nas escolas. O facto é interpretado de maneiras diferentes. Enquanto uns defendem a sua retirada por o facto constituir mau exemplo para as restantes alunas, outros são mais tolerantes defendendo a sua manutenção, pois a sua retirada só iria estimular a situação de baixo nível de escolaridade da mulher, futuramente.

“Temos muitos casos de raparigas que engravidam de indivíduos casados, aliciando-as com bens materiais que trazem da África do Sul, onde geralmente trabalham”, exemplificou Isabel Ndinzane, directora de um estabelecimento de ensino.

Segundo a directora da escola, enquanto a implementação ou o cumprimento da lei sobre os direitos da criança continuar deficiente a mulher, sobretudo nas zonas rurais onde indivíduos do sexo feminino vivem na condição de reprodutora, apenas continuará a liderar a lista das pessoas mais pobres do país.

Indicou que, de acordo com a sua experiência, as famílias com menos posses, quando não têm capacidades financeiras para mandar todos os filhos à escola, optam sempre pelos varões, considerados o garante do futuro da família, em detrimento da rapariga.

in Notícias, 22 de Setembo de 2008

Um dia no Kruger Park - Southafrica


















































19 de Setembro de 2008

Ordem e pouca lei

Por serem os dias, tal como os ventos, portadores de tempestade ou de bonança, também por aqui os desafios e inconstância face a uma sociedade moçambicana em mutação, mas ao mesmo tempo ainda muito arreigada a tradicionais costumes, conduz a que demos de caras com situações que, por serem caricatas e fora do que seria normalmente expectável numa sociedade como a portuguesa, se tornam bastante divertidas. Aqui vai mais uma.

Fenómeno mundial, a corrupção toma em paises de baixa renda per capita, primacial papel no esforço de sobrevivência dos indivíduos, que da sua prática fazem regra e não excepção.

Exemplificativo disso mesmo aqui são as forças, ditas, de segurança.Estruturas institucionais de indole estatal que em tese personificam a protecção constante dos interesses publicos e privados face a situações fora do enquadramento legal vigente, são por estas terras, porta de entrada - mas não somente - , a indíviduos que se servem das altas responsabilidades que lhes estão confiadas no beneficio do seu interesse pessoal. Serão talvez uma minoria, não sem porém macular indelevelmente todo o prestígio que instituições deste genéro devem primar por manter.

Estava eu num destes Sabádos perto do tão afamado Luso, cujos meandros prazeirosamente descrevi em post anterior, ja em alta madrugada, em funções de descarga de passageiros, e a preparar-me para entregar outros que menos propensos a tais ambientes pretendiam dirigir-se a suas residencias, quando, já dentro do carro e com vidro fechado senti me baterem no vidro.

Com alguma indiferença olhei e rapidamente retomei ao que estava anteriormente a fazer, isto é tentar dar inicio ao complexo processo de por em marcha o carro que em comum se adquiriu e que nessa noite estava responsavel por conduzir. Algumas pancadas de insistência porém depois e a minha atenção se redobrou, em parte também devido ao encostar do distintivo policial local que me retirava quaisquer duvidas quanto aos intentos do interlocutor naquele momento. Era policia e queria ver os meus documentos.

Prontamente forneci a documentação requerida pelo agente da "autoridade" sendo que, minha culpa, minha grande culpa, me havia olvidado da carta de condução, mas detentor contudo de documento diplomático comprovativo da identificação. Por norma, a ausência de tal documento nao constituiria questão de relevo em qualquer outro local, por nos possibilitarem a entrega do documento em hora e local a combinar sem mais delongas. Mas aqui sim, levam estas coisas muito a sério. E assim foi.

Depois de uma curta conversa em que tentava explicar que de facto a ausencia do documento se devia a um esquecimento meu e que poderia perfeitamente ir a casa e voltar para o mostrar a tao diligente representante das forças de segurança, ao qual este contrapunha que eu teria que ir à 15 esquadra. Troca de argumentos que terminaram com esta pérola "Senhor João! Eu não estou aqui para fazer a vida dificil a ninguém. Sei que voce tem mais que fazer e eu também. Mas gostava de tomar uma cerveja à sua conta? E la se resolveu a querela com 200 meticais.....

Pelo menos valeu a sinceridade.....pelo menos a ele....mas não aos milhões de Moçambicanos que vêm por cumprir leis que os seus eleitos aprovam....e das quais uns quantos corruptos se servem para ganhar uns trocos extra....

como está o Metical hoje?? É fresco??


A vida está cara por Maputo!

Nós tugas, para não nos vermos de tanga no final do mês temos de fazer uma ginástica daquelas, o que fará este povo simpático e acolhedor?? Com certeza que tem padrões de vida diferente dos nossos... mas isso permite-nos reflectir e perguntar-nos se não devemos esfriar a nossa veia consumista, pegar na enxada e tratar de cultivar a nossa própria Machamba!
Tenho dito!!

eheh

18 de Setembro de 2008

Normal, acima do normal, abaixo do normal..

A previsão climática sazonal referente à época chuvosa no período 2008/2009 indica que Moçambique vai ser fustigado, entre Outubro, Novembro e Dezembro próximos, por chuvas normais a acima do normal no centro e sul, e normais no norte. Em Janeiro, Fevereiro e Março de 2009 prevêem-se chuvas normais abaixo do normal para o centro, enquanto no sul e norte há indicações da ocorrência de chuvas normais a acima do normal. Embora seja ainda cedo para antever o que irá, efectivamente, acontecer, já há previsões de inundações e cheias.

in Notícias, 18 de Setembro de 2008

10 de Setembro de 2008

Cremé de la Cremé

Passados que estão quase dois meses desde a origem deste ja celébre e galardoado blog, assim a humildade nos faz acreditar, chorrilho de histórias que, se não inventadas mais o parecem ter sido, importa agora colmatar elementar falha para com os que mais atentos seguem nossas venturas e desventuras neste périplo africano que o destino quis possivel. Se atingirá isto ao detalhar factos que contribuiram para a sua génese e consequente vinda dos que nele colaboram para a pérola do Indico de que ja todos que nos lêm ouviram falar.

Gastrónomos que somos nas nossas lides quotidianas pela necessidade que temos de nutrir nossos humanos cadáveres adiados, como declama o poeta nas odes mui conhecidas, importa explicar ao caro leitor que tenha entendido erroneamente como abusiva a utilização do epiteto Cremé de la Cremé ou nata das natas, quando à la portugaise, metaforicamente designando um grupo de eleitos que por nomeação quase divina (Bobone estás lá), foram integrados no Programa Inov Contacto da Agencia de Investimento e Comércio Externo de Portugal (sob o acrónimo AICEP), que tais premissas são em boa verdade reais e fora de qualquer dúvida, uma vez que nos constituímos também nós como iguaria cujas qualidades, infindáveis empresas aguardavam por experienciar...ou talvez não :)

Qual sub-produto de excelência que se retira do leite por via de um elaborado processo fisico-quimico de raíz mais industrial que artesanal, também nós, a elite das elites, conseguimos vingar num fastidioso e doloroso processo de selecção que, clamam os responsáveis, terá feito cerca de 1800 vitimas, sendo nós, quais espartanos da antiga Grécia que por duras provas emergem bem sucedidos, parte plena dos que sobrevivendo ansiavam por caminhar em terreno outro que não o da nação mais ocidental da europa.

E assim a nata queimou. Queimou por ter sido em África, terra de abrasadores sóis e escuras gentes, que o destino nos colocou, mais concretamente Maputo....ou como dirão alguns ao imitar falas locais Maputa....mas sem MA.......a que muito conveniente os redactores deste blog juntaram...que me pariu....como que a plasmar uma célebre frase que todo o bom português clama quando verbalmente demonstrando indignação de modo menos comedido.

E assim se preenchem nossas existências.....de histórias....experiências...e acima de tudo... de VIDA.

9 de Setembro de 2008

Um pequeno olhar...

No horizonte do Oceano Índico o sol nasce mais uma vez, um brilho que faz multiplicar as cores de uma terra imensa, de nome longo e majestoso, tal como sua costa se apresenta – Moçambique!
A sua capital, Maputo, de ruas e avenidas compridas que se cruzam num xadrez perfeito, é uma cidade que faz adivinhar a grandeza que outrora teve e que aos poucos vai recriando.
Por entre uma mancha verde erguem-se prédios altos, muitos num estado de degradação considerável, camuflados com outdoors de igual amplitude, esses mais recentes, onde se incluem publicidades das duas redes móveis presentes no mercado – mCel e Vodacom.
Aos olhos dos mortais oriundos dos chamados países desenvolvidos, o que a vista lhes espera é um choque constante em cada olhar lançado, mas como ser de hábitos que somos, cada pormenor revela uma beleza anteriormente indetectável.
Ao longo dos passeios, estejam eles limpos, cheios de lixo, esburacados ou em terra, vendedores anseiam pelo próximo cliente, ora abancados, ora em constante movimento, oferecendo uma miscelânea de produtos desde fruta, jornais, carregamentos de chamadas, adaptadores, triplas, DVDs, CDs, bijouteria, vestuário, tabaco, óculos, relógios, perfumes, galinhas, ovos cosidos e caranguejos vivos. Os amendoins, esses, são vendidos por crianças. Outra vertente é a dos artistas com belas pinturas em tela, batiks, esculturas em madeira e peças feitas em arame. Há também serviços, como telefones fixos na via pública, carregados à bateria e ligados a uma pequena antena, engraxadores, sapateiros com os seus arranjos e de montra estendida em plena rua e o mais original – o menino com uma balança para ajudar aqueles que não se pesam há muito tempo! E como se pode imaginar, existem também os mais comodistas que se limitam a pedir esmola…
Cada porta, seja casa, prédio, loja ou restaurante tem um guarda. Esteja dormindo, comendo, sentado ou de pé, varrendo, jardinando ou viaturas lavando, a profissão de segurança multifacetado é das mais comuns nesta cidade.
As línguas locais são facilmente ouvidas em cada recanto, porém em português todos nos percebem, mas para muitos usar um vocabulário simplista é recomendável. E são várias as expressões e palavras típicas moçambicanas. Algumas são “maningue” interessantes!
As típicas horas de ponta no trânsito citadino são um fenómeno global à qual a antiga Lourenço Marques também não escapa. Por entre as vias de condução à inglesa abundam os jipes, os não identificáveis táxis que anseiam por repousar na sucata e os não menos ansiosos chapas (leiam-se carrinhas de transporte público), habitualmente com o dobro da ocupação recomendada.
Outras estradas, bem mais perigosas, são de cariz relacional. A expressão casa dois não se refere à casa de campo ou de praia, é uma realidade polígama e cultural que se pretende travar. As campanhas de sensibilização nos media locais são prova disso. Viver no limiar de pobreza não permite sustentar uma família, quanto mais pensar num segundo agregado. Outra grande consequência desta cultura de múltiplas relações amorosas é a alta percentagem de pessoas infectadas com o vírus HIV. É tema de muitos debates, anúncios e conversas, mas se a rede eléctrica não chega a todos, muito menos a informação e, mais importante, a sua compreensão e atitudes de mudança. Para alguns não é o SIDA que mata, é a malária… e perigoso é o uso do preservativo!
Mas uma nova geração cresce e com ela a esperança e possibilidade de atenuar os vários problemas de um país que possui, entre muitas, uma beleza de destaque – as suas gentes. Cada rosto irradia simpatia, um sorriso, humildade e humanidade. Um povo pacífico que sabe receber, apesar das cicatrizes que certamente esconde. São alegres por natureza e a cada ritmo ouvido, seja kizomba, Marrabenta, Passada ou uma simples batida de jambés fazem vibrar a sua alma e todo o seu corpo de forma inigualável como se tivessem nascido dançando.
O horário de expediente acaba e ao mesmo tempo o dia também. O interior recebe a chegada do sol que lentamente se derrete na terra mãe, contemplando-nos com o fervor da sua tonalidade avermelhada incomparável. Sentimos o bichinho África a correr e a multiplicar-se nas nossas veias e a alegria de um dia termos tido a oportunidade deste continente abraçar.
Ó Moçambique, “estamos juntos”!

5 de Setembro de 2008

Swazilândia - Bushhh Fire!!!










Dia 1 e 2 de Agosto, primeira saída não-oficial (AICEP) de Moçambique! Destino--> o reinado da Swazilândia! O objectivo mesmo era “encontrar” pelo menos uma das mulheres do Rei... acabamos por parar no maior festival de música da Swazi e arredores, o Bush fire!
Embarcaram neste empreendimento,por ordem alfabética, Goran, Jean (o japa de serviço), João e Nuno.
Saímos de Maputo nas primeiras horas da manhã de Sábado. O nosso chapa, que era um chapa bem “jeitoso” estava à nossa espera fora da casa do anfitrião, um C9 de nome Nuno Quintas. O chapa ficou completo com um grupo maningue fixe de gente da terra.
Pela primeira vez podemos contemplar o país real e conviver de perto com pessoal moçambicano...
A viagem correu pelo normal, ainda pensamos ver uns bichinhos típicos pelo caminho... mas não, só um grupo de macacos...
Estradas com rectas intermináveis surgiam, o que demonstrava bem a vastidão desta terra mãe África...
A impressão que ficamos da Swazilândia, é que é mais limpo que Maputo... o consumismo respira-se, o modelo Inglês está bem vigente...

Chegados ao local do festival, entramos como fotógrafos e artistas... a nata queimou mesmo, e a corrupção está no sangue... a que esclarecer, que a nata queimou derivado a influências externas...
O festival em si, foi maningue fixe! Danças e músicas africanas encheram os nossos ouvidos e corações durante estes dois dias, Os hambúrgueres encheram o nosso estômago....
Prometemos lá (Swazi) voltar.... ao menos para levar as meninas...
E para ver se finalmente conhecemos as mulheres do rei! Há gajos com sorte... hehehe [:p]
















Curiosidade que deu em percalço

Gostaria de deixar por escrito uma pequena curiosidade que reparei no pouco tempo que estou por terras moçambicanas. Nas viagens de táxi já realizadas (já um número considerável) notei “in loco” que, não raras vezes, os percursos estipulados são interrompidos tendo por motivo o acto de "atestar o bólide". Tal facto acaba por ser uma consequência da escalada dos preços dos combustíveis verificada em anos recentes que, segundo relatos dos nativos, leva a que “moçambicano tenha as gotas todas contadas” para qualquer percurso que faça. Em país que os rendimentos pecam por serem irrisórios a mínima variação de preços acaba por ter grandes repercussões.

Tudo bem - pensamos, uma pequena paragem nas nossas curtas viagens em nada nos enfada.
Mas tal facto comporta sempre um risco - algum dia o poço seca antes da chegada ao destino. E eis que o inevitável acontece. Saídos do Maputo Shopping (principal centro comercial de Maputo e arredores), eu, o Goran e o João (moradores da casa que sofreu o surto de baratas) decidimos solicitar os serviços do Shôr Tomás (taxista cujo carro espaçoso nos permite viajar à vontade, mesmo transportando uma grande remessa de compras, que era o caso nesta situação).

A viagem decorre normalmente, pelo meio com direito a uma grande guinada derivado do facto de um carro, do nada, se ter atravessado à frente da nossa viatura (repito tudo na mais absoluta das normalidades). Eis que, a meio de uma das subidas que liga a Baixa da cidade à Av. 24 de Julho, o carro começa literalmente aos soluços até que atasca “bem atravessado” na borda da estrada na via de sentido contrário (o condutor tomou esta iniciativa, vá-se lá saber porquê quando verificou que o carro nos ia deixar ficar mal) .
- Mas que se passa? Está com problemas de bateria? - Perguntamos na maior da nossa ignorância.
- Faltou gasolina - Lá respondeu.
O senhor lá se desculpou e apontou como razão de tal percalço a tal guinada dada anteriormente que fez o carro beber mais do que devia, encurtando assim a nossa viagem com escala na gasolineira mais próxima. Ao que saca de seu “celular” e com a maior naturalidade comunica “faltou gasolina” (tal naturalidade fez-nos desconfiar a reincidência em tal percalço).

Passado um bom quarto de hora em que esperamos pacientemente (afinal estamos em Moçambique, não há grandes pressas) lá chegou o senhor, com quem o taxista falara anteriormente, munido de um galão com o liquido mágico.

Com o carro atestado fizemo-nos de novo à estrada com destino a casa.

No final da viagem tivemos direito a um pequeno desconto, um agradecimento pela nossa paciência e, vá lá, uma pequena história para contar.

P.S. Nestes momentos uma pessoa arrepende-se de não andar de máquina fotográfica em punho de modo a deixá-los registados para a posteridade. É impossível transmitir por palavras a sensação de estar, numa rua com pouca ou nenhuma iluminação, dentro de um carro atravessado na estrada (pequeno pormenor: em CONTRAMÃO), a ver de frente os outros carros a contornarem-nos com grandes razias.
Se tivermos a hipótese de repetir tal experiência tentaremos dessa vez, dentro do possível, deixar registados tais momentos.

4 de Setembro de 2008

Adão



Começo por avisar o caro leitor que pelo titulo pense ser este post instrumento da proclamação da palavra do divino inscrita na biblia sagrada que está muito enganado. Melhor será empregar o seu tempo de forma mais util lendo outro que satisfaça os seus interesses, embora em muito boa verdade julgue que dificilmente o irá encontrar neste blog :).

O que me tras aqui hoje é o personagem nao biblico mas do nosso quotidiano em Maputo, Adão dos batiques.

Individuo de estatura média, com olheiras insistentes e fisionomia no geral peculiar, este Adão impressiona pela capacidade que tem em vender a um cego lentes de contacto para ver melhor, metafora que serve para tornar mais claras as suas inatas capacidades de venda. Não há igual. Qual cão de caça fareja possiveis compradores a quilometros de distancia e nao deixa a presa até a matar com um sempre tipico "faço bom preço", demonstrando ainda menos piedade ao terminar com a invariavel frase "eu sou teu amigo...nunca te ia enganar...é melhor me comprares a mim que aqueles gajos do piri-piri que pedem muito caro".

Interessa explicar ao leitor que mais incauto nao vislumbre o significado da palavra batiques, que estas são peças de pano retratando episodios do quotidiano rural e animal africano. Adão vende-as sempre como peças unicas feitas manualmente, quando o oposto é perfeitamente notório numa visita mais atenta às principais ruas de Maputo. Com conhecimentos artisticos demolidores fica facilmente demonstrada a sua prática quotidiana de privar com os melhores artistas plásticos da actualidade, na frase "veja o traço da obra". Consegue com tal, retirar argumentos até ao mais ceptico por ficarem claros os conhecimentos na matéria da parte de quem vende.

Fica aqui a mensagem. Numa vinda a Maputo procure o Adão.

Porque eu batiques so compro ao Adão....e mais nadaaaaa

Ehh... Macaneta! Aaai!

É Domingo, o último deste Agosto. Em Portugal já se vai chorando o fim do Verão, aqui vamos receando o calor que nos espera... o que se faz sentir neste dia já é suficiente!
A nata masculina maputense decide então ir à praia. São tantos os areais neste vasto país, mas escolhemos um dos mais perto de Maputo - a praia da Macaneta, a cerca de 40 Km.
Acabados de sentar no segundo carro da "contactalhada" - a aquisição mais recente - começam as dúvidas: "Onde é a praia? Para norte ou para Sul?" É para cima, direcção Xai-Xai. E lá vamos nós...
Marraquene à vista e é hora de virar à direita. Após algumas dezenas de metros a fazer Rodeo numa estrada de terra (o pior estaria para vir...) eis que nos aparece esta vista do rio Komati (Incomati em português) oriundo da província sul-africana de Mpumalanga.

Foi aí que nos apercebemos que teria que existir uma ponte... ou um batelão! Pois, a 2a opção... ver o dito cujo a ser arrastado pela corrente e o motor arduamente lutando para não se dar por vencido era um cenário que levantava a dúvida de transportar o estreante carrito para a outra margem. Mas se os sul-africanos à nossa frente achavam que sim... vamos lá a isso! Afinal o outro lado é já ali… Mas custa 180 meticais ida e volta (cerca de €5). 160 pelo trajecto e 20 pelo estacionamento enquanto esperamos pelo batelão(!).

(O carrinho na chegada à outra margem)

E este era o caminho que nos recebia do outro lado…


E logo a seguir o Rodeo continuava…

… por vezes quente!

Ao longo do caminho começam a surgir crianças estrategicamente localizadas em zonas onde, dadas as condições do terreno, é necessário abrandar para poupar os amortecedores. Algumas limitam-se a pedir uns trocos, outras que fazem sprints para tentar acompanhar-nos como se o mais veloz ganhasse a recompensa metálica… mas os piores são os seguintes. Apoderados do meio da estrada, organizam-se e exibem uma coreografia de guerra ensaiada mal vêem um carro aproximar-se. Ou tentamos desviar-nos ou apitamos para que se afastem. A 2ª hipótese não vale a pena e a 1ª corre-se o risco de atropelar os mais irrequietos. A solução passa por abrandar. E aí percebemos o porquê de muitos carros não terem estribos. É que estes miúdos são tão insistentes a pedir trocado que não só correm como também se penduram no carro pensando que assim conseguirão levar a deles avante. E quase resultava! É que de repente temos umas 8 crianças encrostadas ao redor do carro que nem melgas pegadas ao limpa pára-brisas! Isto em andamento e por várias centenas de metros, apesar das sucessivas paragens na tentativa de fazê-los descer. Alguns assim faziam, mas voltavam a empoleirar-se logo que seguíamos a marcha. Mas chegando ao fim do caminho desistiram. Talvez estivessem a entrar em território que não é da sua área de operação...
Nada melhor que umas fotos e um vídeo para ilustrar o acontecido.

(Seja como for é com imensa tristeza que vemos tantos seres tão jovens com este nível de pobreza, alguns até não aparentavam boa saúde.)




E cá estamos na Macaneta quase 2 horas depois de termos deixado Maputo para trás, apesar de nos terem dito que tardaríamos 45 minutos… a culpa foi da espera pelo batelão.
À chegada somos recebidos pela sua lagoa que está colada ao oceano.

Mais uns passos e finalmente a praia e o primeiro mergulho em águas índicas! Temperatura da água muito boa após alguns segundos lá dentro, ondas divertidas e pouca gente que possibilita alguns jogos no areal.



Depois um dos momentos bonitos do dia. Nem todos na praia estavam a relaxar, pois há quem trabalhe mesmo no Domingo. Neste caso eram os pescadores locais que de barco lançam as redes ao mar para depois serem puxadas em terra com as compridas cordas que as ligam. É necessário puxar e puxar, lutar contra a forte corrente que duplica o esforço e o ardor nas mãos. Alguns visitantes da praia, tal como o Goran e eu, numa mistura de brincadeira e solidariedade, decidem ajudar os homens e mulheres nesta árdua tarefa. E de repente cria-se uma ambiente de entreajuda que nos causa um bem-estar interior e muita transpiração!


Quando a rede se aproxima juntam-se todos os que participaram e ainda outros curiosos, mas infelizmente quase que eram mais pessoas que peixe apanhado.


Mas mesmo assim há que agradecer a pescaria, separar os vários tipos de peixes, incluindo um ou outro camarão, um caranguejo e uns peixes estranhos e venenosos que nos picam ao tocar (mas que mesmo assim são comestíveis após cuidadosa retirada da parte maléfica) e distribuir o alimento pelas aldeias. Curioso o pormenor das crianças que usavam a própria roupa que vestiam para armazenar a parte que lhes é dada. E bonito este povo que humildemente me perguntou se também queria levar alguns peixinhos pela ajuda prestada. Não consegui aceitar, até porque a viagem era longa e corria o risco de se estragarem pelo caminho quando aquela gente não merece tal desperdício.



O barco é arrumado com a esperança que o dia seguinte seja um pouco melhor.

A fome típica de um dia de praia acaba de chegar e por isso é hora de saciá-la no restaurante local. No fim da refeição o sol começa a sua descida enquanto sobem as águas fluviais.

No caminho de volta uma pequena lembrança dos Açores… o melhor mesmo é parar o carro e não buzinar (não vão os pastores serem indianos…).

Ao chegar à margem do rio Incomati logo nos apercebemos que a espera pela nossa vez iria ser demorada.

O melhor mesmo é contemplar o pôr-do-sol e as várias viagens do batelão que transportava 6 carros de cada vez…


Após uma hora e meia conseguimos! E ainda foram precisos mais alguns minutos para que o carro conseguisse embarcar, pois o nível do rio estava tão alto que a rampa do batelão ficava numa posição demasiado inclinada. Tentou-se empurrar o carro para cima (com a ajuda de vários moçambicanos), tentou-se a mudança de motorista (um sul-africano), mas depois percebemos que o carro ficava preso na divisória. Subiu-se a rampa e ficou o assunto resolvido.

O resto da viagem, já noite escura, decorreu tranquilamente. Fica para trás um dia bem passado, com algumas histórias e uma nova corzinha...

3 de Setembro de 2008

A mulher moçambicana


Nestes dois meses de estadia nesta Austral praia africana, um ser revela-se pelo seu esplendor e sorriso... a mulher moçambicana....

O astral de qualquer pessoa eleva-se quando estas esboçam um sorriso de bondade e de aconchego. É impressionante como elas fazem uma pessoa sentir-se bem consigo mesmo e com os outros...

Além do sorriso, que transmite bondade, simpatia, aconchego e atenção; A mulher moçambicana é (bem) esculpida e torneada pelos ares de África... Não passou pela cabeça de nenhum de nós, homens e mulheres do hemisfério Norte, que esta terra tivesse sereias tão bonitas...

Associado aos seus dotes físicos e sorriso (com todo o seu significado).... perguntarão o que faltará para ser a mulher perfeita?? a resposta é... quase nada...

Tenho de referir que a mulher moçambicana tem vindo a ganhar uma importância crecente nesta sociedade... cada vez mais autónoma e confiante..
Um bom exemplo disso é a actuação da mulher no poder político.
A Assembleia da Républica é composta por 37,2% de mulheres! e temos como primeira ministra há muitos anos a Drª Luísa Diogo.... Temos também 25% dos ministérios liderados por mulheres...

Que grande exemplo para as mulheres deste mundo....

Um beijinho para elas todas!!

Amor vendido


"Somos da banda nós
Somos da banda muito bem.

Andam por aí provocando sempre o HIV
Elas têm a mania de sempre vender o amor.

Resultado:
Ele bate na mulher,
Nós batemos na mulher,
Eles batem na mulher,
Elas têm a mania de sempre vender o amor.

Mas os homens não se queixam
Eles têm a mania de sempre comprar o amor."

Após esta e outras cantigas o artista enche o copo com o seu "cachê" e retira-se de bicicleta em busca do amor ou de outro sítio para vender a música.

2 de Setembro de 2008

Realidades incomparáveis

“O sal é um produto abençoado, são poucos os alimentos que não necessitam dele, embora pessoas com posses o comprem directamente nas lojas em quantidades suficientes para todo o mês”.

Vendedora de sal moçambicana

Empreendedorismo africano

Por serem poucos, e nao muitos, os que com severa verve carimbam de mal-dicentes os ingénuos e desprentesiosos posts que no passado teci , é meu entendimento agora redigir prosa apologética de algumas das muitas caracteristicas e traços que, sempre numa perspectiva de abertura e pela positiva, tenho observado no povo moçambicano no decurso dos ultimos meses, que parecendo poucos ja são praticamente dois .

Se fara isto pela clara inexistência, de momento, de algo mais com que ocupar o tempo, mas acima de tudo por quem vos escreve sempre procurar acalmar funestas fúrias que de forma espaçada no tempo, e sempre em numero minoritario, se mostram detractoras dos meus escritos, mostrando mesmo alguma incompreensão face aos problemas análisados e sempre debatidos com um nível de seriedade e imparcialidade que radicam num comprometimento ideólogico que é parte do quadro de valores que constitui a minha pessoa.

É entao pois com incontido regozijo que digo ao caro leitor que em local algum vira individuos a servirem-se de tamanha recursividade imagética no sentido de deter uma pobreza cronica que evitavelmente e nao inevitavelmente teima em flagelar uma população que pobre em recursos mas rica em obstinação luta para sobreviver mais um dia, procurando ultrapassar os proliticos constrangimentos directamente relacionados com as questões mais básicas concernantes à manutenção da vida, e nao de um estilo de vida, como acontece em qualquer pais do dito primeiro mundo.

Assim acontece, como hábito em qualquer pais africano que se preze, pela pouca riqueza gerada se quedar no colo de uns quantos barões e baronesas, saidos directamente das lutas fraticidas pós libertação nacional, que assumem como patrimonio próprio a coisa que é democraticamente publica.

Mas o baixar de cabeça e constante queixume perante um quotidiano dificil não é regra seguida como no Portugal por nos conhecido. O povo sorri, brinca, diverte-se, vive na plenitude um palco que é a vida que em nenhum local como neste continente se tem como certa mas incerta. As senhoras, as mamas, que se sentam no chão com grades atulhadas de pão disponíveis com a sua faca a por manteiga e alimentar os transeuntes a troco de uns parcos meticais é imagem gravada na minha memória destes dias que por ca passo. Os meninos que numa infancia perdida procuram ganhar o pão vendendo copinhos de amendoins a turistas que na sua soberba e altivez ignoram os apelos a um comércio que é mais necessidade e suplica da parte de quem vende do que interesse da parte daquele a quem se oferta.

Aqui esta um pouco daquele Moçambique que ja aprendi a respeitar e a amar. Porque um país faz-se nao somente das paisagens luxuriantes mas acima de tudo das pessoas. E essas por cá sao optimas. Gentis, amigáveis e muito, muito simpáticas.

Uma visitinha???????

31 de Agosto de 2008

Sou crente

Hoje discuto uma vez mais, e para nao destoar dos últimos posts, uma questão de alguma seriedade e actualidade na mundanidade que é a vida de todos e cada um de nós, para contida alegria de alguns e aborrecimento da generalidade dos que nos leêm. L´amour.

Ao longo da minha curta existência é com algumas objecções e dúvidas que tenho encarado a palavra amor e o que ela encerra, pelos mais mais variados motivos que pouco importa aqui detalhar ou aprofundar, não só pelo desinteresse que o leitor poderá ter nisso, como também pela reserva que a minha vida pessoal me merece.

Nao bastasse o amor em si, tambem um sub-tipo, definido usualmente como amor à primeira vista, me tinha como ceptico por pensar que no fundo tudo se encaixava numa concepção mais global de atracção física a que poucos sao imunes, e que poderia ou nao resultar num entendimento mais abrangente ao nível intelectual e dos interesses conscientes ou inconscientes que sao comuns e partilhados por cada parelha.

Contudo tudo mudou a partir do momento em que pus os pés em solo africano. Por ser vermelho, o simbolo do fogo, da paixão, o solo africano é a perfeita metafora para o que tenho por aqui presenciado e que os numeros de natalidade nesta regiao do mundo comprovam de forma clara.

Cumpre-me ainda confessar, pese embora a minha ainda curta estadia, a descoberta que realizei de uma caracteristica de personalidade que desconhecia deter e que por cá se revelou. Uma excessiva sensibilidade no que respeita aos assuntos do coração que me leva a ensopar lenço atrás de lenço perante situações em que a existencia de tão bonito sentimento entre dois seres é claramente demonstrada. O amor existe e é lindo.

É então pois com com um lacrimejar descontínuo que vos confesso esta minha conversão a crente, tornado apostolo nas qualidades rejuvenescedoras do amor em terras de África. Revunescedoras porque homens na casa dos 40/50 retornam aos pueris anos quando em presença de uma bem torneada mulher africana jovem, o mais jovem possivel, perdidamente apaixonada pela saber de experiência feita que um homem maduro, quase sempre branco, tem para oferecer. Este germinar instantaneo do amor nao deixa dúvidas a ninguem pelo brilho que transparece dos olhos dos recém enamorados. Uns brilham pela expectativa de por as mãos no vil metal, outros por concretizar carnais desejos.

Pela ressurgida fé no amor que se criou em mim, me tornei critíco dos mais cínicos que por nao terem sido abençoados por tão bendita revelação, como eu, poderão afirmar "Ela so anda com ele porque ele a sustenta. E ele so anda com ela porque ela lhe da o que ele quer na cama e para a exibir ao pé dos amigos qual troféu de safari". Afirmo desde ja a minha completa repulsa por tão execráveis ditos. Quem como eu presenciou amiudadas vezes num reduzido espaço de tempo a magia do amor a formar-se so isso poderá propalar. Porque o amor é lindo e recomenda-se.

Assim haja dinheiro para o comprar :)

29 de Agosto de 2008

Pergunta Filosófica

Termino esta semana a minha contribuição no blog inquirindo quem nos le com uma questão que me parece pertinente, ou se calhar não :).

O que faz alguem se deslocar das áreas cercanas a Maputo para logo no raiar do dia , cerca das 5 da manhã, começar a varrer furiosamente durante mais ou menos duas horas, de segunda a sábado (porque domingo é claramente o dia do senhor e nenhum trabalho é permitido à luz dos ensinamentos biblícos, se tal nao fora, certamente la estaria) iniciando um périplo matinal de combate à sujidade e poeiras que claramente é um despertador alternativo a quem tenha problemas de bateria no telemovel (no meu caso porque é quem me acorda diariamente)?

Acho que vale a pena pensar nisto.....e mais...caso conheçam a pessoa em causa....peçam-lhe que use um aspirador...pelo menos faz mais barulho e acorda-nos mais depressa.

27 de Agosto de 2008

Fotografia da Semana

"PAJEIRO"



Estamos tristes... - Dispensámos o nosso motorista

O Sr Jorge é o taxista mais espetacular do mundo!!
Durante um mês levou-nos (a mim e à Ana), diariamente aos nossos respectivos trabalhos.
É um grande senhor! Simpático, sempre bem disposto e com um sorriso na cara, muito educado e com uma condução decente (difícil de ver por cá). Todos os dias, por volta das oito e um quarto lá estava ele pontualmente à nossa espera à porta de casa. E nunca nos enganou!
Hoje tivemos, com muita pena nossa, de dispensar os serviços do Sr Jorge...




Grande Senhor Jorge!!!
Tudo isto se deve ao facto de termos comprado um carro!!! HEHE! É tão lindo!
O seu nome é "Pajeiro"! Sim sim, com "i"! É como está escrito no registo. LOL!




Lindinho, espero ir passear contigo para muitos lugares lindos!!!
Quanto ao Sr. Jorge, pode contar connosco aos fins de semana à noite...

CFM

in Kampfumo

Museu de História Natural

No passado Sábado, o Jean e eu, fartos de estar em casa a ressacar de mais uma festarola, decidimos fazer uma tarde cultural em Maputo e ir visitar o Museu de História Natural. Não é um grande museu como os que estamos habituados a ver na Europa mas é fofinho! Deu pelo menos para ter uma ideia de que animais poderemos ver quando formos ao Kruger Park e de passar uma tarde diferente...



Eu e a minha queda pras armas... Vai-se lá saber de onde é que veio...



O Jean no seu processo de aculturação tribal.


O museu é uma espécie de cenário montado com exemplares de todas as espécies animais que predominam em Moçambique. São representadas algumas das situações que decorrem na selva, como crias de leopardo a brincar, leões que atacam as suas presas, etc.
A pele dos animais é verdadeira o que confere uma certa veracidade à coisa.


Manadas de elefantes e búfalos em tamanho real...
As nossas ex-companheiras de casa... NOJENTAS!


A evolução do feto elefantinho dentro da "elefanta"... Brutal! (22 meses a carregar com aquilo é dose!!


Uma pequena amostra do que se pode encontrar no fantástico Oceano Indico


E muito mais!

Foi uma visita rápida mas valeu a pena! Certo Jean?

Oh Gente Desta Terra!

Crianças tão novas em busca de atenção, de apenas um olhar de compaixão. Os rostos cansados, de quem trabalha dias seguidos debaixo de um calor abrasador, seja a vender fruta, castanhas de caju, ou o que for, em troca de apenas uns trocos para poder comer mas não deixando de esboçar um sorriso gratuito, natural da simpatia do povo moçambicano...
Isto é Moçambique!!

Aqui passam-se coisas estranhas..

Gulamo Mamudo, presidente do Conselho Municipal da Ilha de Moçambique, reconhece ser difícil controlar as pouco mais de 14 mil pessoas que diariamente buscam nas praias da urbe a satisfação das suas necessidades fisiológicas, devido à reconhecida insuficiência de latrinas e da falta de hábito de uso daquele tipo de infra-estruturas, o que de certo modo obriga os visitantes a “evitar” certos locais daquele local histórico de valor mundial.

...o cerne da questão não é apenas a insuficiência de latrinas, mas sim o hábito das pessoas, porque, mesmo na parte continental, onde a situação dos solos se mostra favorável à construção de latrinas, há pessoas que preferem fazer diariamente uma média de um quilómetro para ir à praia fazer suas necessidades fisiológicas do que construir uma latrina.


in Notícias, 27 de Agosto de 2008

26 de Agosto de 2008

O Verdadeiro Luso

A nossa versão




Fazem-se amizades..



Bebe-se um copo com os amigos..




Dança-se..


Dança-se com os amigos..


Dança-se em frente ao espelho..


Dança-se agarradinho..


Abana-se o rabo..

Claro que há strips e afins, uma vez que é um bar assumidamente frequentado por prostitutas, mas cada um só olha para onde quer.

Como se pode ver, mesmo com toda a promiscuidade associada a um sítio destes, é um lugar onde se pode ter uma grande noite cheia de diversão.
Mas esta não é decididamente a principal forma do bem receber africano.
Adoramos o luso!
Ana e Maria João

Praia do Bilene

Depois de mais uma noite de copos na sexta-feira, chegámos a casa, dormimos cerca de duas horas e siga pro Bilene!!



Queríamos ter saído de Maputo as sete da manha mas com a noitada em cima não foi fácil... A viagem supostamente demoraria cerca de duas horas e meia, mas prolongou-se um bocadinho mais, entre nos termos perdido a sair de Maputo, paragens para comprar amendoins, maracujás, etc. chegámos ao Bilene lá pra uma da tarde.




A casinha onde ficámos, no La Perla Self Catering Houses, era um amor, um "chaletzinho" mesmo em cima da praia com alta vista para a lagoa.






Claro que fomos imediatamente pra praia!




Adormecemos e só acordámos ao fim da tarde cheios de fome e de frio, levantou-se uma ventania horrível. Fomos almoçar a um resturante na praia e depois fomos pra casa.



À noite fomos ao mercado central tentar comprar qualquer coisa pra jantar.

Infelizmente, com muita pena nossa, não conseguimos tirar fotografias ao mercado porque era perigoso. Mas para terem uma noção aquilo parecia tudo menos um mercado, era uma fila de barracas ou tendas com coisas à venda mas tudo deixava muito a desejar... Alhos podres, enlatados fora de prazo... enfim, lá conseguimos comprar umas latinhas de atum e massa e ficou o assunto arrumado...

No dia seguinte tava um tempo horrível! Conclusão, nem praia nem tartarugas, nem nada... Subimos um pouco mais até Xai-Xai e fomos almoçar a um restaurante em cima da praia. Tudo demoradíssimo...

Em seguida, novamente apanhar a estrada para a longa (quatro horas que pareciam intermináveis) viagem de regresso a Maputo... Parámos num "mercado" no meio da estrada pra comprar umas frutas e assim terminou um belo fim de semana, apesar do mau tempo...


By Maria João

Os valores da Lusofonia no Bar-Cafe-Strip Club-Casa de Engate/Prostituição " Luso"

Se algum dia vier a Maputo o caro leitor terá obrigatoriamente que parar no "Luso".

Melhor hora para la chegar são cerca das 3/4 da madrugada.

O luso é um local cheio de vida onde no ar transpira o cheiro a devassidão e sexo. Desde logo parece-me apropriado o nome "Luso", porque de facto a grande maioria dos clientes são oriundos da nossa pátria lusitana, embora tambem os haja de outras nacionalidades.
Significativo do bem receber africano esta o gentil e amigável apalpar dos genitais com que nos recebem em local de tanta virtude quando trespassamos a porta de entrada. Não ha de facto, a meu ver, melhor cartao de visita para a alegre convivialidade do ser femeo africano para a qual ja me haviam inclusive alertado.

Quebrado o gelo, que nunca se chegou a formar, as pessoas sentem-se logo muito à vontade para quebrar e requebrar a anca ao som da ritmada musica cafre. Parceiras para dançar e roçar continuadamente se oferecem para nos auxiliar numa arte em que não somos mestres, mas que elas bem se esforçam para ensinar. Tudo gente boa e prestável.

Termino este post fazendo tambem referência à plasticidade e beleza que transparece do espectaculo do despir cadenciado de peças de roupa - vulgarmente designado por strip tease, que têm lugar no luso. A sensualidade, a perfeição das formas, a ingenuidade com que todo aquele espectaculo de transcendental beleza se desenrola intoxica até os menos prevenidos. Incluso, me parece, serem perfeitamente alheias as modelos que se prestam a tao digna arte, ao facto de abrirem as pernas sem peça de roupa a esconder a sua muito púdica genitalia. Sei que tudo isto é feito por amor à arte e na glorificação da obra divina que é o corpo humano.

Mais um alerta. O turismo de Maputo que faça o favor de incluir no seu roteiro local de tanta fama e proveito....o conhecimento da sua cidade muito ficaria a ganhar....

"Nós empurramos...mas dá desconto"

Neste último domingo parte dos C12 de Maputo tomaram uma decisão bastante ousada. Eu, o Jean, e o Nuno decidimos ir a pé ao Mercado do Peixe de Maputo provar as iguarias dos mares desde pais da áfrica Austral mais conhecido por Moçambique. Iriamo-nos arrepender amargamente...lolol....nao pelo passeio de cerca de uma hora até ao local de destino...antes pelo contrario...esse foi bastante prazeiroso...mas mais por nos termos sentido expoliados pelo que cada um pagou pela refeição de camarões e garoupinhas grelhados...700 meticais?? (cerca de 20 euros)....poderá o caro leitor ficar chocado pela nossa indignação tendo em conta os parametros da nossa pátria lusitana....mas por estas bandas....é mesmo muito....


Nao terminaria contudo o dia sem um episódio hilariante. Após tão "indigesto" repasto foi decidido pelo grupo tomar um taxi, por alguns pés se terem acometido de chagas no percurso até ao local do almoço. La conseguimos um. Andou cerca de 500 metros a espasmos de motor mas pouco mais que isso. Perguntamos ao revoltado taxista "quer ajuda?"... que embora de inicio tenha orgulhosamento recusado.....tenha cedido pouco depois após infrutiferas tentativas para por o carro em marcha.....e la fomos nós....nao sem ter dito ao que nos conduzia "Nós empurramos mas dá desconto!".......mas não resultou....la teve o nosso taxista que chamar um colega para nos levar a casa....


Enfim....mais um episódio tipico...e nao atipico...deste dia a dia africano....

Bichos que foram e não voltaram...por enquanto

Os C12 de Maputo mostraram desde o inicio da sua estada aqui em Moçambique uma capacidade de adaptação fora do normal. Para além do choque cultural que muitos outros procuravam podemos acrescentar o choque animal. Dirão alguns..."Mas isso seria de esperar não?Estando vocês em África!", eu concordo mas desde que isso não inclua ratos e baratas a deambularem pelos corredores e quartos das nossas casas. Foi bonito de ver...ratos a passarem na cozinha....baratas a aconchegarem-se nos lencois das camas enquanto nos dormiamos....Lindoooooo......mas faz tudo parte da experiência africana. Tudo se resolveu contudo com uma simples betunagem de buracos e surpreendentemente (pelo menos para mim..lol) com a utilização massiva da bendita naftalina (que vim eu a descobrir afasta qualquer tipo de insectos....inclusive baratas). Agora que o jardim zoologico fechou, somos por ora os únicos animais que habitam nossas casas....assim o caro leitor nao se nos queira juntar...fica o convite.



25 de Agosto de 2008

Jammeh reafirma ter poderes para curar SIDA

O presidente gambiano, Yahya Jammeh, declarou ter dado “alta hospitalar” a 23 doentes de SIDA, após os ter curado na sua aldeia natal de Kanilai, 120 quilómetros a sudeste de Banjul, a capital da Gâmbia, revelou terça-feira fonte governamental.

“Desejo curar cinco mil pacientes mensalmente, mas isso não é possível por causa do problema de equipamento e do custo elevado do tratamento”, lamentou o Chefe de Estado gambiano.

No ano passado Jammeh alegara também ter dado alta a 13 doentes da SIDA por si curados com um “tratamento tradicional bem sucedido”.

“Actualmente na Gâmbia o HIV/SIDA não é uma doença incurável como costumava ser”, dissera então Jammeh, numa reunião com ministros, militantes do partido no poder e pacientes “curados” reunidos em Kanilai.

Quanto às críticas contra o seu tratamento tradicional, Jammeh declarou ter “retomado um combate mundial” quando anunciou a descoberta da cura da SIDA no início de 2007.

Porém, afirmou: “nunca vou renunciar a cruzada de tratar o HIV/SIDA”.

Um alto responsável da ONU foi expulso da Gâmbia em 2007 depois de ter desafiado a declaração da cura do HIV/SIDA por Jammeh.


in Notícias, 25 de Agosto de 2008

23 de Agosto de 2008

Um pequeno gesto


Verónica Anita Massingue é a minha afilhada. Tem 6 anos (faz 7 na próxima 6ª feira). Nasceu a 29 de Agosto de 2001.
Frequenta a pré-primária.

Os pais da Verónica são separados. Vive com a mãe e no seu agregado familiar vivem 6 pessoas.
Não tem água nem energia. Tem pequena Machamba.